Oposição do Quênia adia protesto para a próxima semana
Nairóbi - Líderes de oposição no Quênia adiaram a grande manifestação prevista para quinta em Nairóbi por causa do bloqueio policial, ao mesmo tempo em que pediram uma mediação internacional para a crise desencadeada após a reeleição do presidente Mwai Kibaki.
A procuradoria-geral do Quênia pediu quinta a revisão da apuração oficial da eleição presidencial, que provocou uma sangrenta disputa política e a morte de mais de 300 pessoas. A onda de violência étnica também levou cerca de 100 mil pessoas a deixar suas casas, segundo a Cruz Vermelha queniana. O promotor-geral Amos Wako disse haver indícios de que os resultados da eleições foram manipulados e pediu que um "órgão independente" confirme os dados. Ele não indicou que órgão faria essa revisão.
A oposição queniana afirma que o presidente Kibaki foi reeleito com um milhão de votos fraudulentos e observadores da União Européia duvidam da credibilidade da apuração oficial. Segundo a Comissão Eleitoral, Kibaki foi reeleito com 46,38% dos votos, enquanto o candidato do opositor Movimento Democrático Laranja (ODM), Raila Odinga, obteve 44,03%.
Na manifestação de quinta, Odinga pretendia proclamar-se "o presidente do povo". As forças policiais foram mobilizadas no início do dia em vários bairros de Nairóbi, especialmente nas imediações do Parque Uhuru, onde usaram bombas de gás lacrimogêneo e caminhões-pipa para dispersar os grupos de manifestantes. Também montaram um cordão de isolamento na favela de Kibera, principal reduto da oposição queniana.
Norman Nyagah, um dos líderes do ODM, foi o que chegou mais perto do Parque Uhuru e anunciou aos simpatizantes de Odinga que a manifestação estava cancelada. Apesar de a oposição ter adiado a manifestação para terça-feira, a mídia local disse que ela pode ocorrer na sexta-feira.
Em uma iniciativa para tentar conter a crise no Quênia, o pastor sul-africano e Prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu viajou quinta a Nairóbi, se reuniu com Odinga e pretendia se encontrar com Kibaki. A União Européia indicou quinta que discutirá com os EUA a criação de uma missão conjunta para tentar encontrar uma solução para a crise. Kibaki declarou quinta que está disposto a "manter um diálogo político com as partes envolvidas, assim que a nação se acalmar".
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