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09.01.2008 imprimir Imprimir
 

'É preciso cortar na veia', diz Lula ao comentar redução de gastos

Brasília - Em meio às queixas de parlamentares e juízes dos tribunais com os cortes de despesas anunciados pelo governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que só conseguirá compensar a perda da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) com a redução de R$ 20 bilhões nos gastos dos três poderes. "Resolvemos com muita seriedade e tranqüilidade anunciar ao Brasil que temos que cortar na veia outra vez", afirmou. "Temos que cortar os gastos", completou. "Isso vale para o Poder Executivo, o Judiciário e o Legislativo "

Numa entrevista divulgada na segunda-feira (07) pelo programa de rádio "Café com o Presidente", Lula observou que os banqueiros, por exemplo, não reclamaram do aumento da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) dos bancos, de 9% para 15%, uma das medidas anunciadas pelo governo. "Não reclamaram porque os bancos tiveram muito lucro nesses últimos anos", avaliou. "Agora os bancos estão ganhando, eles vão poder pagar um pouco mais."

A Câmara, o Senado e os tribunais de Justiça planejavam uma farra de obras neste ano, com reformas de gabinetes e construções de anexo. As medidas anunciadas na semana passada pelo governo para compensar a perda de R$ 40 bilhões da receita do imposto do cheque não foram bem recebidas por parlamentares e ministros do Judiciário.

Nas contas de Lula, o aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da contribuição dos bancos vão render ao governo "por volta" de R$ 10 bilhões e o corte de despesas mais R$ 20 bilhões. Ele pretende atingir os R$ 40 bilhões, receita anual estimada da CPMF, com o crescimento da economia.

O presidente comentou as obras previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), como a refinaria de petróleo em Pernambuco, a ferrovia Norte-Sul e a transposição das águas do rio São Francisco. Lula também citou o programa de financiamento de moradia da Caixa Econômica Federal, que já contratou R$ 17 bilhões. "O governo está tranqüilo com as coisas que estão acontecendo, porque fizemos sacrifício no primeiro mandato", disse. "Certamente, estaremos sempre muito vigilantes para que a gente não permita que haja nenhum desvio nas metas que nós já traçamos para chegar a 2010."

Lula ressaltou que o governo pretende manter os programas sociais, mesmo com o suposto rombo no orçamento. Ele ainda destacou as ações na área do ensino, com a ampliação da rede universitária e de escolas técnicas. O governo está investindo na construção de dez novas universidades e 214 escolas de ensino profissionalizante.

À tarde, o presidente recebeu no gabinete do Palácio do Planalto a rainha e as princesas da Festa da Uva de Caxias do Sul, que acontece de 21 de fevereiro a 9 de março. Lula, que já participou de duas edições do evento como presidente, disse pretende retornar à serra gaúcha na abertura da festa neste ano, segundo organizadores.
 
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