No Vasco, tudo gira em torno de Romário
Rio - A nau vascaína está mesmo sob o comando do capitão Romário, que praticamente transformou São Januário em seu aquário particular, onde passeiam os seus "peixes" prediletos. O presidente interino do Vasco, Eurico Miranda, de postura centralizadora, entregou o controle das principais decisões do futebol do clube nas mãos do atacante/treinador.
Assim como em 2007, quando a diretoria vascaína admitia sem constrangimentos que a prioridade do clube para o ano era o gol mil de Romário, o projeto do Vasco para 2008 é o plano de aposentadoria do veterano atacante, que agora atua também como treinador.
Nomeado técnico para o Campeonato Carioca, que começa dia 19 de janeiro, Romário indicou Alfredo Sampaio como auxiliar, para ajudá-lo na missão de levar o Vasco ao primeiro título desde o Estadual de 2003 - para encerrar a carreira em alta. Ele também pediu a contratação de antigos parceiros, como o meia Beto, a quem também levou consigo quando contratado pelo Fluminense em 2003.
Eurico Miranda sempre eleva o tom quando questionado sobre a subserviência a Romário. "Quem manda aqui sou eu. É claro que consultei o Romário sobre o Alfredo Sampaio, pois irão trabalhar juntos. Mas quem decide sou eu", disse recentemente o todo poderoso dirigente do Vasco.
São duas as razões principais para Eurico dividir poderes e alienar os interesses da instituição Vasco em favor das metas pessoais de um jogador: uma enorme dívida financeira com Romário e a inexistente capacidade de contratar atletas de primeira linha, decorrente da falta de patrocínios e de dinheiro.
Além dos rendimentos atuais, o Vasco paga a Romário uma dívida que chegou a superar os R$ 12 milhões. Entre suas muitas idas e vindas, o atacante de 41 anos emprestou ao clube algo em torno de US$ 2 milhões do próprio bolso, além de ter ficado sem receber salários durante vários meses. Some-se a isso o desinteresse de grandes empresas em associar suas marcas ao clube, uma vez que Eurico costuma impedir jogadores de dar entrevistas e dificulta o trabalho da imprensa.
Quando negociou o retorno de Romário, no segundo semestre de 2006, Eurico pretendia usar a busca pelo gol mil como forma de atrair investidores. Em contrapartida, concedeu ao atacante o direito de treinar quando bem entendesse e de sequer viajar para os jogos fora do Rio. O milésimo gol veio, mas nenhum título foi conquistado e nem mesmo um patrocinador de longo prazo apareceu.
Para este ano, Eurico selou acordo com a rede de fast food Habib’s, mas como um patrocínio secundário (que será estampado na manga do uniforme) e que não permitiu ao Vasco fazer uma contratação de peso sequer nesta pré-temporada. O grande nome com o qual a diretoria vascaína ainda sonha é o atacante Edmundo antigo "peixe" de Romário.
Em busca de dinheiro extra, o Vasco está em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde disputa torneio amistoso até o dia 12 de janeiro - o que prejudica a preparação para o Campeonato Carioca "O ideal seria uma semana de trabalhos físicos antes dos trabalhos com bola", reclamou o próprio Romário, garoto-propaganda da excursão, antes de embarcar. "Só espero que o preço a pagar não seja caro demais." |