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   Colunas . Editorial por André Ladeira e Marina Herrmann

12.01.2008 imprimir Imprimir
 

Os riscos globais

Depois de alguns anos de ventos favoráveis na economia mundial, quando ocorreu uma expansão consistente que se projetou sobre os países ricos e também sobre as economias emergentes, a previsão agora é de que essa tendência comece a se inverter. A crise do crédito norte-americano é vista como a ponta de um iceberg. As expectativas de um crescimento global de 3,4% do PIB mundial poderão ser drasticamente contidas: a Conferência da ONU sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) teme que as conseqüências da crise norte-americana poderão levar a uma estagnação que reduzirá para 1,6% o crescimento mundial, o que afetará gravemente as economias em desenvolvimento. Os preços das commodities tenderão a cair e os exportadores de bens agrícolas serão os primeiros atingidos.

Numa economia globalizada, essa situação impõe aos estrategistas de todos os governos, e claramente aos do Brasil, a necessidade de atenção especial. A dimensão da nova crise global, cuja extensão ainda divide os especialistas, terá efeitos especialmente maléficos para os países pobres beneficiados pelo atual boom dos preços das matérias-primas e dos produtos agrícolas. Mesmo que, como afirma o Banco Mundial, a crise imobiliária dos EUA ainda não tenha afetado seriamente os países em desenvolvimento, tal impacto necessariamente se dará, com maior ou menor efeito sobre as economias. A dimensão do impacto deverá ser inversamente proporcional à estabilidade conseguida por esses países. É uma situação que obriga o Brasil a insistir nas medidas de consolidação da economia e na construção de uma arquitetura financeira e governamental que resista aos eventuais choques externos. O bom momento econômico vivido pelo Brasil - que soube enfrentar as dificuldades dos anos 90, que conseguiu gerenciar suas contas e mantê-las saudáveis, que domesticou uma inflação nefasta, que fez suas primeiras reformas e que com isso equipou-se para uma nova fase de crescimento - deverá ser desafiado por essa crise dos mercados mais ricos.

A situação econômica global e seus previsíveis efeitos sobre nosso país recomendam um planejamento estratégico adequado, o uso consistente dos recursos e dos investimentos e a identificação dos fatores, especialmente na infra-estrutura, que garantam o atual arranque de crescimento. A conquista das condições para uma retomada do crescimento não pode ser desperdiçada por políticas públicas apressadas ou irresponsáveis. A trajetória recente da condução econômica aponta, felizmente, no sentido de que nosso país e seus governantes já acumularam suficiente experiência para evitar as armadilhas de uma nova crise global. As próprias instituições multilaterais atribuem ao Brasil de hoje melhores condições de enfrentar crises globais do que as que detinha no fim do século 20. De qualquer maneira, nosso país não pode baixar a guarda.

 
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