Libertação não terá grande peso político para Chávez, diz analista
SÃO PAULO - Ninguém duvida que Hugo Chávez ganhou pontos com a libertação de Clara Rojas e Consuelo González de Perdomo. Mas essa vitória está longe de ter o peso que ele desejava, especialmente na Venezuela. A opinião é do cientista político venezuelano Alfredo Ramos Jiménez, da Universidade dos Andes. "É claro que é um triunfo de Chávez, mas não tão grande como seria se ele tivesse conseguido a libertação em sua primeira tentativa (em dezembro), quando havia toda uma atenção internacional", disse Jiménez à AE. Ele ressalta, porém, que entre os venezuelanos a credibilidade do presidente segue prejudicada. "O que se discute aqui é o alto custo da operação. Há especulações sobre quantos dólares ou armas Chávez deu às Farc."
Para Jiménez, pesa contra Chávez o fato de ele ignorar os reféns venezuelanos em poder das Farc. "A percepção é que ele está interessado só na publicidade e por isso não fez nada para que sejam libertados os seqüestrados daqui." Há mais de 50 venezuelanos reféns das Farc. "Negociar com um grupo terrorista, que já deu provas de sua crueldade, também é visto como algo negativo por muitos venezuelanos", disse.
Apesar disso, Chávez deve continuar negociando com as Farc, afirmou o analista político Alejo Vargas, da Universidade Nacional da Colômbia. "A libertação abre o caminho para que outros reféns sejam soltos, porque permite uma aproximação entre Colômbia e Venezuela, para que Chávez siga coordenando as negociações", disse Vargas. "O que vem agora é muito mais difícil, pois o peso político de Ingrid é maior e as Farc usam os reféns como escudo para se defender do Exército colombiano", acrescentou. "Mas Uribe está contra a parede, não tem opção além de permitir que Chávez continue a mediação, já que foi o único que teve sucesso."
|