Prévias em Michigan, etapa crucial para a indicação presidencial republicana
Muito abalado pela crise da indústria automobilística, o estado de Michigan (norte dos EUA) pode desempenhar um papel crucial na briga pela indicação republicana à eleição presidencial americana de novembro.
Os eleitores democratas, majoritários neste estado, serão privados de prévias devido a divergências entre as instâncias nacionais e locais do partido sobre a data de 15 de janeiro marcada para a votação.
Ao contrário, do lado republicano, o senador John McCain, veterano da guerra do Vietnã e vencedor da primária de New Hampshire, e o rico empresário mórmon Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, já estão no Michigan, onde vão travar uma dura batalha até a primária de terça-feira.
"O Michigan será um indicador interessante. Quem vencer nesse estado estará muito bem colocado para o restante da disputa", considerou Joe Schwarz, ex-representante republicano que dirigiu a campanha de McCain em 2000.
"McCain ganhou em Michigan em fevereiro de 2000, mas foi paralisado em seguida pela falta de dinheiro. Uma vitória em Michigan seria ótima, e espero que vamos vencer. Porém, é apenas uma etapa numa longa estrada", prosseguiu.
Os habitantes de Michigan estão preocupados com a guerra no Iraque e o seguro de saúde. No entanto, a economia é o principal tema de preocupação.
O fantasma da recessão paira em todo o país desde a crise do setor imobiliário que começou há alguns meses, mas o assunto é mais importante ainda em Michigan, que perdeu centenas de milhares de empregos na indústria automobilística, o setor industrial de maior tradição neste estado onde estão instalados os "Big Three" (Ford, General Motors e Chrysler), e tem uma das taxas de desemprego mais elevadas dos Estados Unidos.
Algumas horas após seu triunfo em New Hampshire, John McCain iniciou uma maratona em Michigan. Durante uma reunião eleitoral organizada quarta-feira perto de Detroit, o senador do Arizona, 71 anos, mencionou as verbas gastas pelo Congresso, a guerra no Iraque, as dificuldades da economia do Michigan e a dependência americana com relação ao petróleo estrangeiro. Ele também prometeu programas de educação e de formação para ajudar os trabalhadores demitidos e afirmou: "Nós somos um país que não abandona seus cidadãos".
Mitt Romney, que fez uma campanha intensiva e gastou minho dinheiro em Iowa e New Hampshire mas ficou em segundo nestes dois estados, tem que ganhar em Michigan se quiser preservar suas chances, segundo os analistas. É neste estado, onde seu pai foi um governador popular, que ele passou sua infância.
"Entendo o que é necessário para que uma economia cresça, e o que pode enfraquecer uma economia", declarou Romney durante uma reunião eleitoral em Grand Rapids. "Pretendo utilizar todos esses anos de experiência e meu amor por esse estado para trabalhar em favor do Michigan, acabar com a recessão e fazer com que o Michigan tenha um futuro melhor", prometeu.
O ex-governador de Arkansas Mike Huckabee, que venceu os caucus de Iowa, devia realizar nesta sexta-feira uma reunião eleitoral em Michigan, um estado onde não fez uma campanha intensiva mas onde apareceu no primeiro lugar de uma pesquisa local.
O ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani não deve viajar ao Michigan. |