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16.01.2008 imprimir Imprimir
 

Temendo escassez, Brasil suspende exportação de vacina

Brasília - O Brasil suspendeu a exportação de vacina contra febre amarela para garantir o abastecimento nacional. A decisão foi tomada já no fim do ano passado -- duas semanas antes do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, convocar rede nacional de TV para dizer que não há risco de epidemia -- com a notícia do aumento do número de casos de mortes de macacos em regiões de risco da doença.

Além da suspensão da exportação, na mesma época, o País fez, por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), uma consulta a países próximos para um eventual empréstimo de suprimentos. "Trata-se de uma medida preventiva. No caso do aumento de demanda, de um aumento expressivo do número de casos, tal empréstimo poderia ser feito", afirmou o gerente da Unidade de Prevenção e Controle de Doenças da Organização Pan-Americana de Saúde, Rubem Figueiroa.

Maior produtora mundial de vacina contra febre amarela, a Fundação Oswaldo Cruz exportou, em 2007, 15,5 milhões de doses para mais de 30 países. A suspensão para o mercado internacional não preocupa a Opas. "Tal medida deve ser temporária, não há razão para preocupação", afirmou. Figueiroa informou que, oficialmente, a Opas não foi comunicada da suspensão.

A notícia da mortes de macacos e o aparecimento de casos suspeitos da doença provocou uma corrida da população aos postos de vacinação. Pessoas que já estavam vacinadas e outras que vivem em regiões onde não há risco da doença quiseram ser imunizadas. A Fiocruz informou que, com tal corrida, a demanda interna para a vacina duplicou. Para atender a essa série de pedidos, a entrega este mês foi triplicada. Em vez das 1,3 milhões de doses tradicionais, a Fiocruz vai fornecer 4 milhões de doses.

O receio, no entanto, é que tal corrida se estenda por mais tempo - ou replique em vários pontos do País. Caso a procura se acentue, há o risco de a produção nacional não ser suficiente para atender a demanda no tempo necessário.

Para tentar conter essa procura excessiva, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na segunda-feira (13) fez um apelo, em rede nacional de rádio e TV para que somente procurem se vacinar contra febre amarela aqueles que nunca foram vacinados, vivem ou vão viajar para áreas de risco ou aqueles que tomaram a vacina antes de 1999.

A Fundação Oswaldo Cruz tem em seus estoques matéria-prima para um ano de fabricação da vacina - o equivalente a 30 milhões de doses. Em casos extremos, será possível produzir mais. No entanto, isso poderá colocar em risco a produção de outras vacinas. Num panorama muito pessimista, a alternativa seria pedir emprestada doses da vacina para outros países.

Além do ministro, autoridades locais procuram deixar claro para população que não são todos que precisam vacinar-se contra a febre amarela. Estava prevista para ser iniciada na segunda-feira, em Minas Gerais, uma campanha para esclarecer quem deve ou não ser imunizado.

A cidade de Porto Alegre é um exemplo da procura em massa pela vacina - e em grande parte, desnecessária. A cidade, que não é área de risco para doença, registrou a marca de 3.354 de doses aplicadas da vacina de quarta-feira até o fim da manhã de segunda-feira.

 
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