Sharif diz que Musharraf está afogando o Paquistão em sangue
Islamabad - O líder oposicionista Nawaz Sharif acusou o presidente Pervez Musharraf de seguir "cegamente" ditames dos Estados Unidos e "afogar todo o Paquistão em sangue" em seu primeiro grande discurso de campanha depois do assassinato da ex-premier Benazir Bhutto.
Os EUA esperam que as eleições tragam estabilidade para o Paquistão, seu aliado-chave em sua guerra contra o terrorismo. Tropas paquistanesas travam duros combates contra militantes islâmicos, muitos ligados à Al-Qaeda e ao Taleban.
Sharif, que foi derrubado por Musharraf num golpe em 1999, fez seus comentários num comício para 3.000 pessoas perto da capital Islamabad. A dura crítica à aliança de Musharraf com o governo Bush parece ser uma tentativa de ganhar o apoio de muçulmanos conservadores.
"Musharraf está destruindo o Paquistão. Ele está seguindo cegamente ordens de Washington", acusou Sharif. "Todo o Paquistão está se afogando em sangue".
Sharif lidera um partido secular mas já forjou no passado aliança com partidos islâmicos radicais.
Musharraf enfrenta a possibilidade de ver eleito um parlamento hostil, que busque seu impeachment. Mas ontem, um porta-voz do Partido Popular do Paquistão, de Bhutto, afirmou que "todas as opções estão abertas" quando perguntado se a agremiação iria colaborar com Musharraf.
"São pontes que vamos atravessar quando elas aparecerem", disse Farhatullah Babar, repetindo declarações dadas à mídia paquistanesa pelo marido de Bhutto, Asif Ali Zardari, agora o líder da fato do partido.
Analistas acreditam que qualquer cooperação entre Musharraf e o Partido Popular seria curta e instável, dada a provável oposição de seus militantes. Mas representaria a união de forças moderadas e seculares, e seria bem recebida pelos Estados Unidos. |
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