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   Notícias dos Estados Unidos

16.01.2008 imprimir Imprimir
 

Hillary acusa Obama de distorcer seus comentários sobre Martin Luther King

A senadora democrata e pré-candidata à Presidência Hillary Clinton acusou seu principal rival, Barack Obama, de distorcer os comentários que ela fez sobre o papel de Martin Luther King no movimento dos direitos civis nos Estados Unidos.

"É importante esclarecer as coisas porque sabemos pelos relatórios de imprensa que a campanha de Obama está distorcendo isto deliberadamente", disse Hillary hoje durante uma entrevista à cadeia de TV "NBC".

"Não há nem um só pingo de verdade" nas acusações de Obama, assegurou a senadora, que aproveitou a entrevista para atacar as posições de seu adversário sobre a Guerra do Iraque.

Como prova de que Obama está acrescentando o elemento racial na disputa, a campanha de Hillary mostrou um memorando que recolhe vários comentários da senadora que, segundo a campanha do pré-candidato negro, demonstram pouca sensibilidade racial.

Mas foram as próprias palavras da ex-primeira-dama as que geraram a controvérsia, principalmente entre a comunidade negra, depois que na semana passada Hillary sugeriu que a eqüidade racial nos EUA foi alcançada graças ao ex-presidente Lyndon B. Johnson, que assinou a lei de direitos civis em 1964.

Para muitos ativistas negros suas palavras pareceram minimizar a influência e contribuição de King ao movimento dos direitos civis durante a década de 60.

No entanto, Hillary afirmou hoje à "NBC" que só estava respondendo a comentários recentes de Obama nos quais supostamente ele quis se comparar a King e ao presidente John F. Kennedy.

Assinalou que embora o país necessite da inspiração de pessoas como Obama, Kennedy e King, "o doutor King não só pronunciou discursos, mas marchou, organizou pessoas, participou de protestos, foi vítima de ataques com gás, foi agredido e preso".

"King entendeu que é preciso trabalhar com o processo político e atrair os que ostentavam o poder político, e por isso fez campanha para vários líderes políticos, entre eles Lyndon Johnson", continuou a senadora democrata por Nova York.

Mas, apesar de seus esforços durante a entrevista à "NBC", as explicações de Hillary pouco serviram para aplacar a controvérsia.

Obama disse hoje que está "desconcertado" pelas acusações de sua adversária de que ele está injetando o tema racial na disputa, já que "foi ela quem fez uma declaração inoportuna".

O senador de Illinois disse que Hillary tem o direito de explicar o que quis dizer, mas qualificou de "ridículo" que sua campanha agora sugira que ele foi o causador da polêmica.

A controvérsia surge no momento em que os principais pré-candidato à Presidência brigam pelos votos dos negros às vésperas das primárias da Carolina do Sul, em 19 de janeiro para os republicanos e sete dias depois para os democratas.

Nesse estado, os negros representaram 50% dos eleitores que participaram das primárias em 2004, e se prevê que esse número aumente este ano.

 
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