
Eleições americanas serão também um conflito de gerações
A eleição presidencial nos Estados Unidos, principalmente as primárias democratas, serão em parte uma guerra de gerações segundo Ana Fishman, presidente de uma empresa de marketing com sede em Nova York especializada em tendências.
P: Como o fator idade influencia as eleições?
R: "Sem dúvida o fator de gerações é importante. Essa eleição presidencial é única: não há um presidente tentando a reeleição, a disputa tem uma mulher, um afro-americano, um mórmon e um pastor, mas sobretudo porque a 'Geração X' e as seguintes (os com menos de 47 anos) podem superar em quantidade de votos os mais velhos.
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos adotaram os valores, atitudes e estilos de vida dos 'baby boomers' (entre 48 e 65 anos). Eles nasceram quando os soldados voltaram para casa.
Agora os Estados Unidos passam por uma transição de gerações, estamos vendo mudanças em todas as áreas - empresarial, política, entretenimento, saúde e meio ambiente - que refletem os valores das gerações X e Y".
P: Que conseqüências essa evolução traz para os candidatos?
R: "Alguns candidatos compreenderam algumas diferenças de gerações e outros não. Por exemplo, os baby boomers cunharam o termo 'spin doctor', que se refere ao assessor encarregado de maquiar e tornar mais palatável para o eleitor algo que um candidato disse em um debate ou discurso. Os jovens odeiam o demagogo e o 'spin'. Foram bombardeados desde muito jovens com truques de marketing e os descobrem em seguida. Eles respondem a um discurso direto e honesto. Tanto Hillary Clinton (uma "baby boomer") quanto Barack Obama (um "X") devem permanecer sinceros em seus argumentos para ganhar o apoio da geração X".
P: O que esperar então dessa geração X?
R: A geração X é cínica. São filhos de pais divorciados, de famílias monoparentais ou com dois pais trabalhando, e que aprenderam a assumir responsabilidades por si mesmos, a ser pragmáticos para sobreviver. São uma geração multicultural que está mais além da cor da pele ou da orientação sexual. Ainda que estejam orgulhosos de ser a primeira geração a escolher um presidente afro-americano, nunca vão adotar um candidato apenas por esse motivo. Querem saber o que o candidato pensa sobre temas atuais importantes: terrorismo, economia, saúde, problemas das fronteiras. Discutem nas salas de bate-papo na internet, em blogs e decidem individualmente. Obama responde bem à esperança da geração Y, mas deve respaldar isso com propostas concretas para satisfazer o lado pragmático da geração X". |