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   Colunas . Opinião por Francisco Sampa

23.01.2008 imprimir Imprimir
 
A dinastia da democracia ou democracia da dinastia

 Ela surgiu na Grécia, há milhares de anos. Uns adotaram por conveniência e outros por convicção e idealismo. É maltratada, surrada, usurpada nos seus princípios e muitas vezes deturpada em seu significado. Uns afirmam que democracia significa algo como a máxima: “quem sabe manda, quem tem juízo obedece”,  e por aí vai o rosário de interpretações, dependendo do interesse político e momentâneo de cada um e a lei, cada um interpreta à sua maneira. 

Na América, ela nunca esteve tão, digamos, sossegada como nos últimos anos, apesar dos Chavez, Ortegas, Morales e Castros da vida.  Nos anos 60, 70 e meados dos 80 ela sofreu mais  do que muletas em sovaco de aleijado: a cada 24 horas surgia um novo presidente, um general acordava  com vontade e sede de poder, o corneteiro dava o  toque  de reunir e pronto: lá estava toda a milícia no poder, usurpando em nome do povo e do progresso.

No Brasil, não foi diferente. Os coturnos e as baionetas passaram duas décadas ditando normas e costumes, censurando, prendendo e arrebentando. Uns viveram pela pátria  e outros morreram sem razão.

Na Europa e África a coitada sofre até os dias de hoje. No Oriente Médio, a  coisa não é diferente. E assim a democracia, que surgiu para  ser  o governo do povo para o povo, vem sendo atacada de  todas as formas.  Aqui na grande nação do norte, uma das mais ricas do  mundo, a mais poderosa militarmente, com suas seis forças armadas, o arsenal nuclear mais poderoso e  eficaz do planeta, auto-intitulada defensora  fervorosa da democracia, a coisa nos últimos vinte e oito anos está mais para DINASTIA  do que para DEMOCRACIA.

Com o atual governo do Presidente George W. Bush e seus oito anos no poder, só de família BUSH, o ciclo completa vinte anos no poder de uma mesma família. Levando-se em consideração que o pai do atual presidente George W. Bush, o Presidente GEORGE HERBERT WALKER BUSH, foi Vice-Presidente por oito anos (1981-1989) no governo de Ronald Reagan e presidente por mais quatro anos (1989 a 1993), sendo sucedido pelo Bill “I did not have sex with this woman” Clinton por oito anos, que por sua vez, como já disse anteriormente, foi sucedido pelo atual mandatário George W. Bush.

Nos últimos 28 anos, apenas duas famílias ditaram as normas e o caminho a seguir nos E.U.A.. Caso a vencedora das próximas eleições neste ano de 2008 venha ser a ex-primeira dama e eterna senhora Clinton, atual senadora do  estado de Nova Iorque, Hillary Clinton, durante 32 anos apenas dois clãs teriam governado o país.  Como o povo deste país poderá falar ao mundo  sobre democracia, renovação, se eles nestas três décadas apenas mudaram a posição dos músicos na  orquestra? Afinal, é a DINASTIA da DEMOCRACIA ou  DEMOCRACIA da DINASTIA? Com a licença do poeta popular brasileiro, vamos esperar novembro para que a boa  nova  possa se espalhar nos campos.

 
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