Fifa e Uefa irão indenizar clubes que cederem jogadores à seleção
Nyon - Num acordo histórico, a Uefa e a Fifa anunciaram na segunda-feira que irão indenizar os clubes que cederem jogadores para as seleções nacionais disputarem as duas próximas edições da Eurocopa (2008 e 2012) e a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Ao todo, as duas entidades prometem desembolsar US$ 252 milhões em compensações financeiras.
A decisão da segunda-feira é resultado do acordo da semana passada, quando Fifa e Uefa deram mais poder aos clubes em troca do fim das brigas com o G-14, organização que reunia as 18 maiores equipes da Europa e que será extinta. E uma das principais reivindicações das agremiações era justamente a compensação financeira por ceder seus jogadores às seleções, o que foi agora contemplado pelas duas entidades.
"Os clubes que propiciam certas quantias de dinheiro para a Fifa e a Uefa através de seus jogadores devem receber alguma compensação e dividir os lucros", explicou o francês Michel Platini, presidente da Uefa, ao anunciar na segunda-feira os detalhes do acordo financeiro na sede da entidade, em Nyon, na Suíça.
O pagamento aos clubes será feito pelo número de dias que o jogador servir a seleção, sendo que cada competição terá um valor diário diferente. Dessa maneira, a Uefa planeja desembolsar US$ 63 milhões na Eurocopa deste ano, na Áustria e na Suíça, e outros US$ 79 milhões na próxima edição da competição européia de seleções, em 2012, na Polônia e Ucrânia. Já a Fifa irá gastar US$ 110 milhões em indenizações na Copa do Mundo de 2010.
Além da compensação financeira, Uefa e Fifa prometeram trabalhar para organizar melhor o calendário do futebol mundial e tentar diminuir o número de jogos das seleções nacionais. "Não há vencedores, a não ser o próprio futebol", afirmou Platini, ao comentar o acordo com os clubes.
Em troca, o G-14 irá acabar após nove anos de existência - oficialmente, isso acontecerá na assembléia marcada para o dia 15 de fevereiro -, o que implica no fim de todos os processos que move contra a Fifa e a Uefa atualmente. Em seu lugar, será criada uma nova entidade: a Associação Européia de Clubes (ECA, na sigla em inglês), que irá reunir 103 agremiações, representando os 53 países do futebol da Europa.
"A partir de hoje, toda a família do futebol está novamente reunida", comemorou o presidente do Bayern de Munique, Karl-Heinz Rummenigge, que irá assumir a presidência da ECA nesse momento de transição. "É um dia histórico, que irá beneficiar o futebol no mundo inteiro", disse o diretor-executivo do Chelsea, Peter Kenyon. |