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23.01.2008 imprimir Imprimir
 

Musharraf pede mais tempo para levar o Paquistão à democracia

BRUXELAS, Bélgica - O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, respondendo ao que ele definiu como "obsessão" do Ocidente com a democracia, fez um apelo nesta segunda-feira à comunidade internacional para que ela dê mais tempo para ele levar o país que governa a altos padrões de direitos humanos e liberdades civis.
Falando sobre outra preocupação internacional, Musharraf disse ao público em Bruxelas que apesar da crise política e da rebelião de grupos fundamentalistas, o arsenal nuclear do Paquistão está em segurança sob o seu regime e não cairá nas mãos de terroristas e extremistas que assolam o país.
"Nós acreditamos na democracia, nos direitos humanos e nas liberdades civis. Por favor, nos dêem o tempo para chegarmos onde vocês chegaram. E vocês levaram séculos para chegar onde chegaram," disse Musharraf, durante uma entrevista coletiva no início de uma viagem de oito dias à Europa.
O presidente paquistanês, que encontrou-se com funcionários graduados da União Européia e oficiais da Otan, também afirmou que as eleições parlamentares de 18 de fevereiro no Paquistão serão "justas, transparentes e pacíficas."
O chefe de política exterior da União Européia, Javier Solana, disse após se encontrar com o ex-líder militar que a condução dessas eleições determinará as futuras relações e compromissos da Europa com o Paquistão.
O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse que um Paquistão estável é um fator essencial tanto para a Otan quanto para o Afeganistão.
Musharraf pretende assegurar aos líderes europeus que o Paquistão é um aliado indispensável e confiável na "guerra ao terror." Mas ele também disse neste domingo que seu país sofre com "distorções, mal entendidos e uma falsa percepção," nas capitais ocidentais.
O ex-chefe do Exército que tomou o poder em um golpe militar em 1999 tem sido criticado por ter declarado estado de emergência no ano passado. A crise política agravou-se ainda mais com o assassinato da líder da oposição Benazir Bhutto, em 27 de dezembro de 2007.
Musharraf deseja que o Ocidente entenda a situação do seu país: uma sociedade que ainda é em larga medida tribal, lutando para ser uma democracia e tomando um papel na linha de frente na luta global contra o terrorismo.
O que atrasa a democracia no Paquistão, ele afirmou, é que "nós ainda temos um ambiente tribal e feudal em algumas das nossas províncias."
Falando sobre o que ele chamou de "obsessão" com a democracia no Ocidente, Musharraf disse: "Vocês levaram séculos para chegar onde chegaram." Ele pediu tempo para o Paquistão chegar aos valores democráticos que o Ocidente levou séculos para conquistar.
Musharraf se encontrará nos próximos dias com o presidente da França, Nicholas Sarkozy, com o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, e com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.
 
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