Palestinos de Gaza explodem muro e entram aos milhares no Egito
RAFAH, Faixa de Gaza - Centenas de milhares de moradores da Faixa de Gaza cruzaram na quarta-feira a pé, de automóvel ou mesmo de carroça a fronteira com o Egito, depois que militantes palestinos destruíram parte da barreira que separa os dois territórios na área da cidade de Rafah.
Os palestinos, cerca de 350 mil segundo o jornal israelense Haaretz, invadiram o lado egípcio para comprar alimentos, remédios, peças de carro e principalmente geradores, combustível baterias e cigarros, itens que se tornaram escassos e muito caros por causa dos vários meses de restrição de entrada e saída de Gaza.
O rompimento da barreira e a invasão de palestinos ocorreram em protesto contra o bloqueio imposto na semana passada por Israel a Gaza por causa dos lançamentos de foguetes contra o território israelense. Israel controla a maior parte da fronteira de Gaza, enquanto o Egito tem uma pequena fronteira com o sul do território palestino.
O Egito normalmente mantém estrito controle de sua fronteira com Gaza, apesar de Israel acusá-lo de fazer vistas grossas ao tráfico de armas. O Egito manteve sua fronteira com Gaza fechada desde junho de 2007, quando o Hamas derrotou e expulsou as forças de segurança ligadas ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.
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Na quinta-feira, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, disse que ordenou a suas forças de segurança que liberassem a entrada dos moradores de Gaza, depois que militantes explodiram partes da barreira de madrugada. O Hamas não assumiu a responsabilidade pela ação, mas um membro do grupo radical islâmico disse que há meses essa invasão estava sendo preparada e maçaricos estavam sendo usados para fazer alguns cortes na partes metálicas da barreira. "Pedi às autoridades responsáveis que permitissem a entrada dos palestinos no Egito para comprar bens de primeira necessidade e seu retorno a Gaza, desde que não estivessem com armas", disse Mubarak à agência oficial Mena.
Israel manifestou preocupação de que militantes e armas possam entrar em Gaza em meio ao caos e disse que o Egito é o responsável por restaurar a ordem. Os EUA também disseram estar preocupados com as dezenas de milhares de palestinos que estão entrando no Egito. Os EUA, que não querem criticar publicamente Israel ou o Egito, colocaram no Hamas a culpa pela situação. "Os palestinos em Gaza estão vivendo o caos por causa do Hamas", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.
O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, pediu na quinta-feira uma reunião urgente com seus rivais do Fatah - partido do presidente Abbas - e o governo egípcio para negociar um novo acordo sobre o controle das passagens fronteiriças de Gaza. Haniyeh sugeriu que as passagens fronteiriças sejam abertas "com base na participação nacional", indicando que o Hamas estaria preparado para ceder algum controle ao governo de Abbas. No entanto, a Autoridade Palestina disse que Haniye está tentando explorar a situação para obter ganhos políticos.
Um dia após Israel suspender temporariamente seu bloqueio a Gaza permitindo a entrada de combustível e alimentos, fontes do governo israelense disseram na quinta-feira que "enquanto continuarem os ataques com foguetes, os caminhões com mercadorias não atravessarão a fronteira." Militantes palestinos dispararam na segunda-feira 21 foguetes contra o sul de Israel, sem deixar vítimas.