Falta de oportunidade fez ex-detento voltar a assaltar
Tanabi - Ligia Brenner, de 56 anos, diz que seu filho, Carlos Eduardo Brenner, de 35, não conseguia emprego desde que saiu da prisão e ainda sofria ameaças. Segundo ela, o filho estava num ponto de ônibus para ir trabalhar como camelô. Morava em pensões em São Paulo e estava armado quando entrou na lanchonete e fez reféns na semana passada porque, desde que saiu há 4 anos da prisão, era ameaçado por dívidas feitas lá dentro com o crime organizado. "Ele precisava ganhar dinheiro para pagar as dívidas com o crime organizado e para pagar a pensão dos dois filhos, Ícaro, de 4 anos, e Joyce, de 6 anos, que moram com a ex-mulher dele, em Tanabi."
Segundo a mãe, o filho sempre reclamava que não conseguia emprego fixo. Ele ganhava a vida vendendo bijuterias como camelô Também não tinha onde morar. "Ele morava de pensão em pensão. Eu o ajudava como podia porque sempre reclamava que precisava de dinheiro para pagar a pensão das crianças e o aluguel da pensão "
Ela diz que o filho havia parado com as drogas. Segundo ela, ele foi preso há cinco anos por porte de drogas. Ficou 8 meses na cadeia. No dia da morte, ele ligou da lanchonete. "Ele pediu para eu perdoá-lo e disse que não queria mais voltar à prisão. Ele me disse: ‘Mãe, eu não tenho mais como voltar. Para mim o mundo acabou’. A partir daquele momento, eu soube que não veria meu filho de novo."
A mãe vai vender a casa onde mora, para viver com a filha mais velha. O pai de Carlos, Isaías Brenner, de 61, tem Alzheimer. "Ele (o filho) não tinha intenção de matar ninguém", diz a mãe. "Ou não teria soltado os reféns."
Um amigo de Carlos, Gelson Adriano de Oliveira, diz que ele vinha pouco à cidade, mas quando vinha jogava bola e baralho. "Ninguém sabia que ele esteve preso."
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