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30.01.2008 imprimir Imprimir
 

Acidente de ônibus faz 25 mortos na China, nevascas provocam caos

Guangzhou, CHINA - Ao menos 25 pessoas morreram e 13 ficaram feridas ontem quando um ônibus derrapou em uma estrada congelada e caiu cerca de 40 metros em um vale na montanhosa província de Guizhou, no sul da China, de acordo com o serviço de segurança da administração local. O ônibus com capacidade para 35 passageiros sentados estava transportando 38. O país foi tomado pelas piores tempestades de inverno dos últimos 50 anos, transformando a temporada nacional de férias em caos. Várias cidades ficaram sem energia elétrica devido às fortes nevascas que romperam as linhas elétricas e dificultaram a entrega de carvão, usado para gerar a maior parte da energia do país. Xangai está coberta de neve, as vias expressas continuam fechadas e o trânsito difícil.

O Ano Novo chinês, que começa dia 7 de fevereiro, é tão importante quanto o Natal para o Ocidente. E para vários trabalhadores migrantes é a única chance de visitar suas famílias. O Partido Comunista convocou uma reunião de emergência ontem, encabeçada pelo secretário-geral e também presidente Hu Jintao, alertando para a piora das condições climáticas. "Nos próximos dias haverá uma piora do tempo em algumas áreas do sul. As administrações dos departamentos e localidades precisam estar ciente da seriedade da situação e prontas para prevenir desastres", disse em um comunicado. Usinas elétricas que produzem 7% da eletricidade da China foram desativadas por falta de combustível, segundo a agência Xinhua. Outras usinas, que fornecem mais de 10% da energia consumida têm apenas reserva para três dias.

E os trens estão entregando menos do que 25% do fornecimento diário de carvão. As tempestades já causaram prejuízos de 22 bilhões de yuan (US$ 3 bilhões) desde que começaram, em 10 de janeiro, segundo o ministério de assuntos civis. Enquanto isso, o número de trabalhadores migrantes presos na principal estação de trem no sul da cidade de Guangzhou caiu para 200 mil, muitos desistindo de fazer a viagem anual para casa e pedindo o reembolso das passagens, medida estimulada pelo governo, segundo autoridades da companhia ferroviária. Cerca de 500 mil haviam acampado na estação nos últimos dias, esperando que as linhas de trem normalizassem. O tráfico da linha férrea Pequim-Guangzhou pode demorar de 3 a 5 dias para voltar ao normal, segundo a agência estatal Xinhua News.

Na estação central, muitos estão na mesma situação que Wang Jogen, um trabalhador da construção, de 50 anos, que não tem para onde ir. Ele deixou o trabalho e tem dinheiro apenas para chegar na província de Sichuan, onde mora. Seu trem foi cancelado e ele não tem dinheiro para pagar um hotel. "Passei a noite fora, em uma garagem de ônibus", disse Wang. "Eu não tenho idéia de onde vou dormir hoje e se vou conseguir chegar em casa".

 
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