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   Notícias dos Estados Unidos

30.01.2008 imprimir Imprimir
 

Imigrantes brasileiros que trabalham nos Estados Unidos estão tendo que aumentar sua carga de trabalho para compensar perdas com a desvalorização do dólar, segundo uma matéria do jornal americano "Christian Science Monitor" nesta terça-feira.

A reportagem mostra como a queda do dólar em relação a outras moedas, como o real por exemplo, está afetando o envio de dinheiro de imigrantes para suas famílias nos países de origem.

O jornal abre a matéria contando o caso do cozinheiro brasileiro José Lucas, que trabalha em um restaurante perto de Boston e que teve de aumentar sua carga horária de 40 para 56 horas semanais para compensar a desvalorização da moeda americana.

"Trabalhando na cozinha de um restaurante de preço médio em Cambridge, Massachusetts, José Lucas conseguia cobrir todas as despesas de sua mulher e três filhos no Brasil. Mas isso mudou quando o real teve valorização de 60% em relação ao dólar nos últimos três anos."

Segundo o "CSM", a queda do dólar pode até mudar o padrão de imigração para os Estados Unidos.

"Em todos os Estados Unidos, a queda do valor do dólar está afetando comunidades de imigrantes que enviam dinheiro para suas famílias em outros países. Como algumas moedas em países em desenvolvimento tiveram alta substancial em relação ao dólar, muitos trabalhadores imigrantes estão aumentando sua carga horária em até 20 horas por semana, ou pegando um segundo emprego. Se a queda do dólar continuar, os Estados Unidos pode se tornar menos atraente para trabalhadores migrantes, dizem analistas."

Segundo o jornal, alguns imigrantes do Equador, Bolívia e Peru já estão preferindo ir para a Espanha em vez dos Estados Unidos, para ganhar em euros.

Segundo Dan Griswold, um especialista em comércio e imigração do Cato Institute entrevistado pelo jornal, "as remessas são a melhor forma de ajuda externa que temos. Elas passam de família para família com gastos mínimos com os intermediários".

O "CSM" ainda cita outro brasileiro, Ricardo Machado, que sustentava a filha, a cunhada e três sobrinhos com US$ 650 por mês. "Hoje, o pagamento regular saltou para US$ 1.200. Além de trabalhar mais 20 horas por semana, ele teve que cortar praticamente todas as despesas com 'luxo'."

Segundo o jornal, Machado costumava freqüentar um restaurante brasileiro duas vezes por semana, mas teve que diminuir as visitas para compensar a queda do dólar.

"Ao todo, cerca de 150 milhões trabalhadores imigrantes em todo o mundo trabalham fora de seus países de origem e mandam dinheiro para casa. Estima-se que no ano passado foram enviadas remessas de US$ 240 bilhões --um recorde-- para os países em desenvolvimento, com cerca de US$ 90 bilhões partindo apenas dos Estados Unidos. As estimativas, provavelmente, são muito mais baixas do que o valor real das remessas, já que muitos imigrantes estão em situação ilegal ou enviaram dinheiro por canais não oficiais."

As famílias mais pobres são as que mais sentem a queda do dólar, afirma o jornal, pois são as que mais dependem do dinheiro. Elas não deverão passar fome, segundo os especialistas ouvidos na reportagem, mas provavelmente terão que cortar despesas com vestimenta e saúde, limitando-se a gastar apenas o necessário, em emergências.

O "CSM" afirma que a desvalorização da moeda americana está afetando não apenas as remessas, mas também os negócios voltados para a comunidade imigrante.

Um supermercado português, que vende produtos importados para imigrantes portugueses e brasileiros perto de Boston, vem operando no vermelho há vários meses já que, além de os imigrantes terem menos dinheiro disponível para gastar, os preços aumentaram por conta da diferença de câmbio.
 
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