Disputa pela Casa Branca se afunila: Edwards e Giuliani desistem
Miami - A disputa pela Casa Branca está se afunilando: o republicano Rudolph Giuliani e o democrata John Edwards anunciaram na quarta-feira sua retirada da corrida à presidência. Giuliani declarou apoio à candidatura de John McCain. "McCain é o mais qualificado para ser o próximo comandante-chefe dos EUA", disse o ex-prefeito de Nova York na Biblioteca Ronald Reagan, em Simi Valley, Califórnia, antes de um debate entre os candidatos republicanos. "Ele é um herói nacional." Já Edwards não deixou claro se endossará alguém.
A luta pela indicação à candidatura dos dois partidos americanos fica agora limitada a dois nomes de cada lado: no campo republicano disputam o favorito McCain e Mitt Romney, já que Mike Huckabee tem pouquíssimas chances, e no campo democrata estão Barack Obama e Hillary Clinton. Os dois democratas, que falaram com Edwards por telefone, tentam conquistar o cobiçado apoio do ex-senador, que estava em terceiro lugar nas pesquisas e havia conquistado 26 delegados. "As duas campanhas estão batendo desesperadamente à nossa porta", disse Joe Trippi, coordenador da campanha de Edwards.
Em seu discurso de despedida - realizado em New Orleans, mesmo local onde lançou sua candidatura 14 meses atrás -, Edwards afirmou que continuará com sua luta para reduzir a pobreza e a desigualdade nos EUA. Ele estava acompanhado dos filhos e da mulher, Elizabeth, que sofre de câncer.
"Eu adoraria ter o apoio de John", disse Obama em entrevista à rede ABC. Já Hillary, que era bastante criticada por Edwards nos debates, afirmou: "O senador Edwards é meu amigo e admiro muito seus esforços para incluir a pobreza na agenda de discussão do país."
Assista o vídeo:
Ex-senador pela Carolina do Norte, Edwards foi vice na chapa derrotada de John Kerry, em 2004. Naquela campanha, ele concorreu com uma plataforma populista de unir as "duas Américas", mas teve problemas como a péssima repercussão de seus cortes de cabelo de US$ 400, sua mansão de milhões de dólares e seu trabalho para um fundo hedge, um pouco dissonantes de sua mensagem de luta pelos pobres.
Edwards sempre reclamou que a cobertura da mídia se limitava-se aos dois candidatos que estavam na frente, Obama e Hillary. Ele não ganhou nenhuma prévia e sua campanha estava sem recursos. Segundo as regras do Partido Democrata, dos 26 delegados de Edwards, 10 deles são automaticamente redistribuídos de maneira proporcional entre Hillary (que ganharia 4 e subiria para 52) e Obama (que receberia 6 e ficaria com 69) - são necessários 2.025 para conseguir a indicação. Os outros 16 delegados continuam "pertencendo" ao ex-senador, que poderá decidir mais tarde a quem destiná-los.
McCain, por sua vez, ganha, com o apoio de Giuliani, um impulso entre os moderados de Nova York e New Jersey para as prévias da Superterça. O ex-prefeito - que tinha apenas dois delegados - havia entrado na disputa republicana como favorito, mas não fez campanha nos primeiros Estados que realizaram prévias, preferindo concentrar-se nas primárias de quarta-feira na Flórida. A tática não deu certo e ele acabou em terceiro lugar no Estado.