| Dunga abdica de teste para a Olimpíada, e Brasil vence a Irlanda
Dublin - É muito raro, nos amistosos contra adversários reconhecidamente inferiores, a seleção brasileira apresentar um bom futebol. Na quarta-feira, em Dublin, contra a Irlanda, a equipe até fez uma boa partida e conseguiu uma vitória justa, por 1 a 0, gol de Robinho. Então o teste, o primeiro de 2008, valeu? A rigor, não, pois o técnico Dunga equivocou-se mais uma vez: com a preocupação maior de tentar ganhar o jogo, preferiu colocar em campo um time mais experiente e desperdiçou uma rara oportunidade para testar os jogadores com idade de ir à Olimpíada. Isso apesar de ter chamado 11 deles.
Tudo bem que o Brasil jamais havia vencido a Irlanda em Dublin (perdeu por 1 a 0 em 1987 e empatou por 0 a 0 em 2004). Claro que resultado é importante no futebol. Mas que importância terá a vitória da quarta-feira? E que diferença prática faria uma derrota nesta altura?
Dunga não pensa assim. Ainda em busca de afirmação no posto de técnico da seleção, apesar de já tê-la dirigido por 25 vezes e conquistado um título (a Copa América do ano passado), o ex-volante quer - e não nega - alcançar feitos que outros não atingiram. Até os menos importantes.
Graças a isso, o único jogador com idade de ir a Pequim que ele escalou desde o início contra a Irlanda foi Diego, a quem vem chamando praticamente desde o começo de seu trabalho. O meia do Werder Bremen jogou até os 33 minutos do segundo tempo, quando foi substituído por outro "olímpico", Anderson, do Manchester United. O meia jogou apenas 14 minutos - a partida foi até os 47
Aos 36, Lucas entrou no lugar de Josué; Rafael Sóbis "rendeu" Luís Fabiano no minuto seguinte. Só. Os outros sete olímpicos limitaram-se a assistir à partida, tiritando de frio, no banco, ou então enquanto faziam o inútil aquecimento - "inútil", claro, para quem pensava que poderia entrar em campo. Coincidência ou não, os três que tiveram a chance de jogar já haviam sido chamados anteriormente em jogos da seleção principal.
Quem jogou, claro, não tem culpa da opção feita por Dunga - que ficou nas tribunas, suspenso que estava por ter sido expulso no amistoso entre Brasil e México, no ano passado, e usou o telefone para se comunicar com Jorginho, que dirigiu a equipe do lado do campo. E todos trataram de fazer sua parte. Demonstraram vontade, dedicação. Bom toque de bola, paciência e jogadas pelas laterais, com os estreantes Leonardo Moura e Richarlyson, que não têm idade olímpica, mas saíram-se bem na estréia.
Faltou apenas maior objetividade nas conclusões, embora Diego (bem na partida), Josué e Luís Fabiano tivessem boas chances. Mas foi Robinho desde o começo quem fez a diferença, a ponto de, logo aos 3 minutos, ter o nome gritado pelos milhares de brasileiros que foram ao Croke Park.
Com toques de classe, jogadas de efeito e vontade de buscar sempre o gol, ele se destacou. E foi premiado com o gol que deu a vitória ao Brasil, aos 22 minutos do segundo tempo. Ele avançou rapidamente pela esquerda, recebeu de Diego, invadiu a área e teve visão e categoria para chutar a bola por entre as pernas de Carsley, tirando-a do alcance do goleiro Given.
Robinho, que é forte candidato a ser um dos maiores de 23 anos na Olimpíada, deu a Dunga a vitória que o técnico tanto queria. Mas a chance de observar jogadores que podem lhe ajudar a conquistar o ouro inédito em Pequim, o técnico não teve. Na verdade, se recusou a tê-la.
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