Putin diz que o mundo vive uma nova corrida armamentista
Moscou - O presidente Vladimir Putin criticou ontem os Estados Unidos e a Otan por sua expansão militar na direção das fronteiras da Rússia e disse que Moscou irá responder modernizando seus armamentos.
Ele acusou nações não especificadas de estarem tentando enfraquecer a Rússia a fim de controlarem seus vastos recursos energéticos e proclamou que uma nova corrida armamentista começou.
Putin afirmou que a expansão da aliança militar atlântica para perto da fronteira ocidental da Rússia contrasta com a decisão de Moscou de fechar suas bases militares da era soviética em Cuba e no Vietnã.
"Não tem havido uma resposta construtiva a nossas bem fundamentadas preocupações", reclamou Putin, referindo-se a planos dos EUA de instalarem partes de um sistema antimíssil na Polônia e República Checa e novas bases militares na Romênia e Bulgária.
Ele acusou Washington de recusar-se a tratar das preocupações da Rússia sobre as novas instalações militares, acrescentando que os EUA têm usado suas consultas com Moscou "meramente como cobertura diplomática para implementar seus planos".
"Não temos visto qualquer passo concreto no sentido de uma conciliação", disse Putin num discurso de 50 minutos perante líderes nacionais e regionais no Kremlin que foi transmitido pela tevê para todo o país.
O evento foi visto como um discurso de despedida antes das eleições presidenciais de 2 de março. O candidato apoiado por Putin, Dmitry Medvedev, deve vencer com facilidade.
O Kremlin tem considerado os planos dos EUA de instalarem 10 interceptadores de mísseis na Polônia e um radar na República Checa uma ameaça à segurança da Rússia. Moscou não aceita a argumentação dos EUA de que o escudo antimíssil visa conter uma ameaça em potencial do Irã.
Putin anunciou ontem que a Rússia vai modernizar suas forças armadas e desenvolver novas armas.
"Estamos sendo forçados a tomar medidas retaliatórias", alegou. "A Rússia tem tido e sempre terá uma resposta a esses novos desafios. Num futuro próximo, a Rússia começará a produzir novos sistemas de armas que não serão inferiores, e em alguns casos superará, aqueles mantidos por outros países".
Putin ridicularizou críticas feitas por potências ocidentais à decisão da Rússia no ano passado de deixar de implementar o tratado sobre Forças Convencionais na Europa, de 1990, que limita o número de aviões, tanques e outras armas convencionais pesadas no continente e permitia uma inspeção de instalações militares russas por técnicos da Otan.
"Os membros da Otan não ratificaram nem respeitaram esses documentos, mas eles querem que nós unilateralmente os implementemos", afirmou.
A Rússia critica o Ocidente por não ter ratificado uma nova versão do tratado, e portanto não se submeter a seus termos.
"Uma nova rodada de corrida armamentista começou a se desenrolar", disse. "Não fomos nós que começamos".
Ele frisou que a Rússia está interessada num ambiente de paz global que permita seu desenvolvimento econômico, mas acrescentou que algumas nações querem assumir o controle dos vastos recursos energéticos do país.
"Uma dura batalha por recursos está se desenrolando, e muitos conflitos, ações de política externa e iniciativas diplomáticas cheiram a petróleo e gás", comentou. "Atrás de tudo isso, está muitas vezes um desejo de impor uma competição injusta e garantir acesso a nossos recursos". |