| Itália terá eleições parlamentares em 13 e 14 de abril
oma - A Itália irá às urnas nos dias 13 e 14 de abril, apenas dois anos após as últimas eleições parlamentares, em um pleito que poderá levar de volta ao poder o conservador magnata da mídia Silvio Berlusconi. O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, assinou na quarta-feira o decreto para dissolver o Parlamento, que foi confirmado pelo demissionário premiê Romano Prodi. O Conselho dos Ministros marcou a data das eleições e também da reunião do próximo Parlamento, que deverá se apresentar em 29 de abril.
Napolitano disse na quarta-feira que não teve outra escolha a não ser dissolver o Parlamento, após a queda do governo de centro-esquerda de Prodi no mês passado e o fracasso do líder do governo no Senado, Franco Marini, em formar um governo interino. As tentativas de Marini foram bloqueadas por Berlusconi, que foi contra a formação de qualquer governo interino e insistiu na antecipação das eleições.
O governo Prodi foi o 61º da Itália desde o final da Segunda Guerra Mundial (1945).
As eleições serão um embate entre Berlusconi e o prefeito de Roma, Walter Veltroni, que emergiu como líder mais forte na esquerda após a queda de Prodi. O prefeito de Roma, de 52 anos, disse na quarta-feira que renunciará ao cargo de alcaide da urbe e levará o recém-formado Partido Democrático, que unificou vários partidos de esquerda, à vitória.
"A Itália merece algo de novo para sair de um período de conflitos, divisões e imobilismo político. Este é o desafio que nos espera nos próximos 65 dias antes das eleições. É preciso virar a página e nós faremos isto," disse Veltroni.
Mas as pesquisas de intenção de voto mostram Berlusconi e seus aliados conservadores na frente. O idoso magnata, de 71 anos, foi o premiê que ficou mais tempo no cargo no pós-guerra (entre 2001 e 2006). Mas existem várias dúvidas sobre a atual lei eleitoral italiana, que dá grande poder a pequenos partidos políticos. A lei foi mudada a pedido de Berlusconi, em 2006, pouco antes da queda do seu segundo governo.
Napolitano tentou evitar a realização das eleições sob a atual lei eleitoral. Quando pediu a Marini que formasse o governo interino, ele afirmou que a principal missão desse governo seria supervisionar as mudanças na lei eleitoral.
Napolitano recebeu nas mãos, no entanto, o que ele chamou de uma "decisão forçada."
"Essas eleições antecipadas representam uma anomalia," disse na quarta-feira. Ele lamentou que ocorram eleições sob as leis eleitorais vigentes.
Já Berlusconi insistiu que a margem da sua vitória será tão grande que a estabilidade estará garantida, mesmo com a lei eleitoral vigente. Ele rechaçou pedidos por uma mudança rápida na lei eleitoral, ao dizer que nenhum consenso será obtido em curto prazo sobre uma questão tão importante.
"Eu vejo um risco ainda maior de instabilidade," disse Pietro Grilli di Cortona, professor de ciências políticas na Universidade Roma Tre e autor do livro "Mudança política na Itália."
"Existe o risco de que estejamos apenas desperdiçando o tempo. O risco de ir às urnas, queimar um monte de dinheiro e depois tudo acabar de novo nos mesmos problemas," comentou Cortona.
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