Clérigo radical condena seqüestro de jornalistas em Basra
Bagdá - O escritório do clérigo radical xiita Muqtada al-Sadr criticou ontem o seqüestro de dois jornalistas da rede americana CBS na cidade sulista de Basra, enquanto a polícia promovia intensas buscas pelos desaparecidos.
Testemunhas disseram que, na manhã de domingo, oito homens encapuzados armados com metralhadoras invadiram o Sultan Palace Hotel, em Basra, e capturaram um repórter britânico e seu intérprete iraquiano.
Basra, a segunda maior cidade do Iraque, tem sido palco de uma dura luta pelo poder entre milícias xiitas rivais de olho nas ricas jazidas de petróleo da região.
Os sadristas rapidamente se distanciaram dos seqüestradores.
"Condenamos o seqüestro dos jornalistas e exigimos a libertação do jornalista britânico e do intérprete iraquiano", afirmou o diretor do escritório de al-Sadr em Basra, Harith al-Edhari.
A rede americana CBS noticiou na segunda-feira que dois de seus jornalistas haviam desaparecido em Basra, 550 quilômetros ao sudeste de Basra, mas não os identificou.
Assista o vídeo:
"A CBS News está em contato com as famílias e pede que a privacidade deles seja respeitada", disse a rede num comunicado.
A polícia promove intensas buscas e ainda não havia notícias de contato por parte dos seqüestradores.
Enquanto isso, a Liga dos Jovens Jornalistas anunciou que um de seus integrantes foi encontrado morto ontem depois de ter desaparecido há dois dias.
Hisham Michwit Hamdan, de 27 anos, estava desaparecido desde o domingo, quando saiu para comprar canetas e blocos de anotações em uma papelaria na região central de Bagdá, informou a entidade
Hamdan trabalhava na organização desde 2003, quando foi fundada, e não havia relatado nenhuma ameaça. Ele deixa a mulher e dois filhos.
Segundo a Comissão de Proteção aos Jornalistas, com sede em Nova York, mais de 120 profissionais de imprensa e 50 colaboradores já morreram no Iraque desde a invasão do país, em março de 2003. A maior parte era iraquiana.