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   Notícias dos Estados Unidos

13.02.2008 imprimir Imprimir
 

Prefeito de NY critica lei do etanol de milho nos EUA

Uma nova lei energética nos Estados Unidos provocará um aumento nos preços mundiais dos alimentos e pode levar a mortes por fome no mundo todo porque continua promovendo o etanol de milho, disse na segunda-feira o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg.

"As pessoas literalmente vão morrer de fome em partes do mundo, isso sempre acontece quando os preços dos alimentos sobem", disse Bloomberg a jornalistas após falar num debate da Assembléia Geral da ONU sobre a mudança climática.

A nova lei dos EUA, que entrou em vigor no final de 2007, quintuplica a quantidade de biocombustíveis a ser misturada à gasolina, o que cria uma maior demanda pelo milho (principal matéria-prima do etanol nos EUA), elevando sua cotação.

Até 2022, cerca de 57 bilhões de litros de etanol de milho devem ser acrescidos à gasolina (de um total de 136 bilhões de litros de biocombustíveis). O restante deve vir de fontes com baixa emissão de carbono, como sobras de colheitas e grama.

A nova lei favorece o etanol de milho porque continua a subsidiá-lo e a taxar o etanol de cana, segundo Bloomberg. Isso ocorre porque os EUA produzem etanol de milho, enquanto o de cana é importado do Brasil.

A exemplo de outros críticos, Bloomberg disse que o etanol de milho, ao contrário do que cana, gera menos energia do que gasta em sua produção, transporte e uso.

O bilionário britânico Richard Branson, diretor do grupo Virgin, concordou que o etanol de cana é preferível ao de milho. Na opinião dele, faria mais sentido que os EUA cultivassem alimentos e deixassem que países como o Brasil usassem suas terras para plantar a cana que viraria biocombustível.

"Acho que, se [os Estados Unidos da] América se livrassem do imposto de importação sobre o etanol de açúcar, é isso que aconteceria, e acho que o mundo se beneficiaria", disse Branson a jornalistas.

A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) diz que a cana rende sete mil litros de etanol por hectare, enquanto o milho rende apenas três mil litros por hectare. A entidade afirma ainda que os custos de produção do etanol de cana são menores.

A Comissão Européia anunciou em janeiro que a União Européia vai estabelecer regras ambientais mais rígidas para os biocombustíveis, depois de admitir que a busca por eles trouxe problemas imprevistos, como ameaças às florestas tropicais da Ásia e um aumento nos preços dos alimentos.

 
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