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16.02.2008 imprimir Imprimir
 

Oposição só vai apoiar CPI mista se dividir comando

Brasília - Depois de um dia tumultuado, a oposição conseguiu protocolar ontem à noite o pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista para investigar o uso abusivo de cartões corporativos por ministros, assessores e funcionários do governo. Um primeiro pedido havia sido devolvido, horas antes, por um erro técnico. Ao saber do revés, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), passou o dia recolhendo novamente as assinaturas e apresentou o novo pedido, com o apoio de 28 senadores e 189 deputados. A polêmica, porém, não acabou - se a oposição não conseguir um dos cargos de comando, vai minar a CPI mista e abrirá uma exclusiva no Senado.

"Em último caso, se for necessário, teremos duas CPIs: uma mista e outra do Senado", defendeu o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), autor do requerimento para abertura de CPI conjunta da Câmara e do Senado. "Se nos negarem um dos cargos de comando da CPI mista, vamos obstaculizar os trabalhos Casa", reiterou Virgílio. A preocupação da oposição se deve à resistência tanto do Palácio do Planalto como dos partidos da base em entregar a relatoria ou presidência dos trabalhos a um integrante do PSDB ou DEM.

Após identificar um erro no requerimento apresentado na quinta-feira à Mesa do Congresso - havia a palavra "apoiamento" no pedido, o que é proibido pelo regimento -, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), obrigou novo recolhimento das assinaturas em até cinco dias. O mínimo necessário era de 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado. Apesar do empenho em reapresentar o pedido na quinta-feira mesmo, os oposicionistas já deixaram bem claro que não apoiarão uma investigação sob comando exclusivo dos governistas, já apelidada de chapa-branca.

Se o cenário for esse, vão usar a hipótese de abrir a comissão no Senado para pressionar o governo a ceder um dos dois postos-chave. "Qualquer coisa que não seja a investigação dos cartões presidenciais vai cheirar a farsa, a acordão nessa CPI", afirmou Virgílio. "Não participaremos de uma CPI auto-investigativa com o governo indicando relator e presidente. Não vamos coonestar uma CPI que não vai investigar", afirmou ontem o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). "Se não tem entendimento é melhor que evolua para uma CPI do Senado, com relator de um lado e presidente de outro."

O ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) não quis assinar o requerimento. Já o senador Neuto de Conto (PMDB-SC), que pela manhã, anunciou que aceitava o convite para presidir a CPI mista, viajou sem assinar o pedido. Em meio ao imbróglio, o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) foi anunciado como relator da comissão. "Vamos investigar o mecanismo dos cartões corporativos Ver se o Poder Judiciário, se o Ministério Público, se as estatais usam esse cartão", avisou. novo líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), provocou a oposição: "Se gostam tanto de CPI, por que não deixam fazer uma para investigar os gastos com cartões pelo governo de São Paulo?"

Os oposicionistas decidiram protocolar ontem o pedido de abertura de CPI para não passar o fim de semana debaixo da suspeita de que haviam feito um acordo com o governo para abortar a comissão de inquérito. Os tucanos eram o principal alvo das especulações de que haviam fechado acordo com o governo.

 
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