Carro-bomba mata comandante militar do Hezbollah na Síria
Beirute - Um destacado comandante do grupo guerrilheiro pró-iraniano Hezbollah morreu na explosão de um carro-bomba ocorrida na noite de quarta-feira em Damasco, informaram grupos sírios de defesa dos direitos humanos e a televisão iraniana na quarta-feira. O grupo xiita libanês atribuiu a Israel a autoria do atentado que culminou na morte de Imad Moughniyah, um militante procurado por suspeita de envolvimento em uma série de ataques contra alvos americanos e israelenses ao redor do mundo. O Irã, que apóia o Hezbollah, qualificou o episódio como "um ato de terrorismo de Estado praticado pelo regime sionista". O Estado judeu negou envolvimento no atentado.
O obscuro Moughniyah, um destacado líder do Hezbollah, foi um dos mais notórios extremistas durante as décadas de 1980 e 1990, mas pouco se falou nele no decorrer dos últimos 15 anos. O nome de Moughniyah figurava na lista de homens mais procurados pela polícia federal americana (FBI, por sua iniciais em inglês) A recompensa oferecida por informações que levassem a sua captura era de US$ 5 milhões. Israel acusava Moughniyah de envolvimento no atentado a bomba de 1992 contra a embaixada israelense em Buenos Aires, no qual morreram 29 pessoas, e o ataque perpetrado dois anos depois contra um centro cultural judaico na capital argentina que matou 95.
O Hezbollah acusou agentes israelenses de terem assassinado Moughniyah. O atentado foi o segundo ataque atribuído a Israel em solo sírio em menos de seis meses. Em setembro do ano passado, aviões de combate israelenses destruíram o que o governo de Israel denunciou ser uma instalação nuclear no deserto sírio. A explosão de quarta-feira ocorreu em Kafar Soussa, um bairro residencial de Damasco. Inicialmente, testemunhas disseram que uma pessoa que passava pelo local morreu, mas que as forças de segurança teriam removido o corpo. Autoridades sírias não comentaram o episódio. Mas a emissora de televisão iraniana Press TV, que transmite em inglês, divulgou na quinta-feira que a pessoa morta na explosão era Moughniyah.
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De acordo com o canal, o comandante do Hezbollah havia saído de casa e preparava-se para entrar em seu carro quando o veículo explodiu. Por sua vez, a Organização Nacional Pelos Direitos Humanos na Síria confirmou na quinta-feira que Moughniyah morreu na explosão de um carro-bomba na noite de quarta-feira. "O assassinato de Moughniyah em Damasco ocorreu depois de o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ter ameaçado assassinar líderes do Hezbollah e do Hamas onde quer que eles estivessem", diz um comunicado do grupo. Por meio de declaração oficial, Israel negou envolvimento no assassinato do comandante do Hezbollah. "Israel rejeita a tentativa de grupos terroristas de atribuir a ele qualquer envolvimento nesse incidente", afirma o documento.
Por sua vez, Danny Yatom, um deputado israelense que já dirigiu o Mossad, principal serviço secreto externo do Estado judeu, celebrou a morte de Moughniyah. "Na luta travada atualmente pelo mundo livre e democrático contra o tereror, creio que o mundo livre e democrático tenha conquistado hoje um objetivo muito, muito importante", declarou Yatom. O atentado - o primeiro ataque contra um destacado líder do Hezbollah desde o bombardeio que matou o secretário-geral da organização, xeque Abbas Mussawi, em 1992 - tende a elevar dramaticamente as tensão entre Israel e o grupo guerrilheiro, que conta com o apoio da Síria e do Irã.
O xeque Afif al-Naboulsi, um destacado clérigo xiita simpático ao Hezbollah, pediu ao braço armado do grupo que retalie. "Todo ataque contra a resistência será motivo de uma resposta da resistência, declarou o clérigo à emissora de TV Al-Manar, operada pelo grupo. "Olho por olho, pessoa por pessoa, líder por líder", defendeu. Apesar de ter acusado Israel pelo atentado, o comando do Hezbollah não jurou vingança, pelo menos até o momento.