Após o Urso de Ouro em Berlim, Tropa de Elite volta aos cinemas
Rio - Impulsionado pelo Urso de Ouro que ganhou no festival de Berlim, o filme "Tropa de Elite", já assistido por mais de 14 milhões de brasileiros (nos cinemas e em cópias piratas), voltará às salas de São Paulo, Rio e Brasília na sexta-feira (22). O relançamento foi anunciado na segunda-feira (18) em entrevista coletiva que reuniu, pela primeira vez desde o anúncio do prêmio, o diretor, José Padilha, o produtor, Marcos Prado, e o elenco principal - Wagner Moura, intérprete do Capitão Nascimento, foi o único que não pôde participar porque está em meio aos ensaios da peça Hamlet.
Com aparência cansada, mas rindo à toa, Padilha, que chegou da Alemanha no domingo (17), falou para uma platéia lotada de jornalistas. Na mesa cheia de microfones, um detalhe de cerca de vinte centímetros fazia toda a diferença: o reluzente Urso de Ouro, que agora ornamenta o quarto do filho do diretor. "Tenho que voltar logo pra casa e devolver pra ele", brincou.
Depois de dias e dias de entrevistas para a imprensa brasileira em Berlim e para jornalistas estrangeiros, ele reafirmou seu orgulho por ter recebido a láurea de um júri presidido por Constantin Costa-Gavras e lembrou a filiação de Tropa a "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles (2002).
Padilha - que já vinha sendo sondado para filmar no exterior desde que lançou o documentário "Ônibus 174" - não acha que seu filme irá, necessariamente, repetir a carreira internacional de "Central do Brasil" (há dez anos, o filme de Walter Salles conquistou o primeiro Urso de Ouro brasileiro e concorreu ao Oscar em duas categorias). Já com o longa de Meirelles, a relação é mais próxima: "Se não existisse Cidade de Deus, Tropa de Elite não existiria", afirmou, lembrando que os dois "jeitos de filmar" foram parecidos.
Assista o vídeo:
Elogiado o tempo todo pelos atores presentes (Caio Junqueira, André Ramiro, Fernando Machado, Maria Ribeiro e Fernanda de Freitas), Padilha contou que, durante o festival, as críticas que chegaram a seus ouvidos (à exceção da publicada pela revista norte-americana Variety, que chamou o filme de fascista) foram positivas, o que o deixou animado.
Mesmo concorrendo com o badalado "Sangue Negro" (de Paul Thomas Anderson, com Daniel Day-Lewis), ele estava otimista, e suas esperanças cresceram quando recebeu um telefonema da organização avisando que Tropa tinha ganho um prêmio. Mas qual deles? Isso ele só saberia ao fim da cerimônia de premiação. "São oito prêmios e o Urso de Ouro é o último. Então, você fica o tempo inteiro torcendo: 'Tomara que eu perca esse prêmio'. É uma espécie de tortura psicológica", riu.
O estreante André Ramiro, que interpretou Matias, acompanhou tudo do Rio. "Eu decidi abstrair! O prêmio é muito legal. Isso me ajuda a querer estudar. O peso da responsabilidade aumenta."
Padilha discorda da idéia de que o filme possa ajudar a perpetuar, no exterior, a imagem do Rio e do Brasil como um lugar violento. "Cidade de Deus, Notícias de uma Guerra Particular, Tropa de Elite e Carandiru são filmes amigos do Brasil, no sentido de que colocam problemas brasileiros e ajudam e pressionam a classe política a fazer alguma coisa. O problema da violência urbana no Brasil é a violência urbana no Brasil, não é o Tropa."
Tropa não entrou na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano, mas poderá concorrer em outras categorias, no ano que vem. Na próxima semana, chega às lojas o DVD do filme - já sai com 150 mil cópias vendidas. A transformação do filme em série de TV ainda está sendo negociada, segundo Padilha.