Farinha Pouca Meu Pirão Primeiro
Lá pras bandas do meu Nordeste, do Cariri, do Bodocó, do Agreste à Zona da Mata, no meu glorioso Leão do Norte, esta frase é comum em todos os níveis da sociedade nordestina. Com a crise que estamos atravessando aqui nos E.U.A, ela se encaixa como uma luva. Nunca na história da emigração brasileira deste país a mão de obra brasileira foi tão explorada e desvalorizada como nos dias de hoje. Os primeiros que aqui aportaram se acham os senhores feudais da terra e com a desculpa da crise estao cada vez mais a explorar os recém-chegados com míseros salários de fome e em muitos casos sem nem sequer pagar a quantia combinada.
São donas de casa de limpeza que fogem sem pagar a diarista, os chamados construtores com suas camionetes reluzentes, que tem deixados nossos bons e trabalhadores carpinteiros a verem navios - ou como disse o poeta, a comerem o pó da estrada ou o pó da madeira que o diabo serrou. A exploração é tanta que dá pena dos explorados e vergonha dos exploradores, esquecendo-se os pseudos-senhores feudais, que quando aqui chegaram a realidade era outra. As pseudas madames, com suas vans e vassouras reluzentes, poderiam usar as mesmas para fazerem um vôo de rasante de reconhecimento sobre as suas consciências e honrarem os pagamentos com as mulheres recém-chegadas, que na luta pelo pão de cada dia , estão sendo exploradas e humilhadas por míseros dólares.
Ao fim da semana elas nem sequer vêem a cor dos mesmos, pois as madames, donas das tais companhias de limpeza simplesmente desaparecem num vôo magico nas vassouras atômicas rumo à cauda de um cometa chamado exploração. Pois é, como dizia dona Carmelita : "José, menino, em terra de estradeiro a gente anda é de cócoras". Aqui nos E.U.A a coisa tá ficando assim, aliás, não mudou muito nos últimos 20 anos, mas agora tá um salve-se quem puder da gota serena e a bixiga lixa da febre do rato. Tá faltando tudo, trabalho, consciência do povo, vergonha na cara de muita gente e respeito pela mão de obra alheia. Tá todo mundo querendo comer a sua porção de pirão antes que a farinha termine.
Meus bravos compatriotas, a farinha não vai terminar tão cedo. 2008 será um ano de transição, 2009, um ano de renovação e 2010 um ano de construção, estabilização e arrancada para uma nova era. Vamos apertar o cinto sermos solidários e dividir esse pirão em partes iguais, por que tudo passa e essa crise que ora bate a nossa porta para nós brasileiros não é um bicho de sete cabeças, afinal para quem driblou a inflação, os cruzados da vida e outros planos malucos da terra Brasilis, essa crise tá mais pra lagartixa que prá jacare.
Mas até ela passar, vamos ser solidários com os nossos trabalhadores, sejam homens ou mulheres, pois com certeza a farinha deste pirão não irá faltar na mesa do povo honrado e trabalhador. Não é hora de abandonar o barco, pois nos primórdios dos anos 90 a coisa também ficou feia, mas com o tempo se ajeitou e tudo voltou a seu lugar. É hora de calma e perseverança, com a certeza de que dias melhores virão, e quando eles chegarem, vamos estar preparados com a conciência tranqüila de que não exploramos nem fomos explorados.
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