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20.02.2008 imprimir Imprimir
 

Polícia britânica temia confronto armado se tentasse prender general israelense

Londres - A polícia britânica temeu a ocorrência de um confronto armado se tentasse prender um general israelense acusado de crimes de guerra, revelou uma reportagem levada ao ar ontem pela emissora pública de televisão BBC.

O general da reserva Doron Almog escapou em 2005 de um mandado de prisão emitido contra ele na Grã-Bretanha permanecendo no interior de um avião da companhia israelense El Al estacionado na pista do aeroporto de Heathrow depois de ter sido avisado que a polícia o esperava para prendê-lo.

O general Almog retornou para Israel sem desembarcar. Na ocasião, a polícia britânica não entrou na aeronave para cumprir o mandado de prisão contra Almog porque temia que ocorresse um confronto com agentes armados no interior do avião ou com o aparato de segurança do general, revelou a BBC.

A emissora baseou a matéria em documentos preparados para a corregedoria da polícia britânica, que concluiu sua investigação sobre o caso no ano passado.

A corregedoria de polícia recusou-se a comentar o teor dos documentos, limitando-se a informar que não constatou nada de irregular com a decisão da polícia de não entrar no avião.

A companhia aérea El Al informou que eventuais questionamentos deveriam ser feitos ao Shin Bet, serviço de segurança interna de Israel, responsável pela segurança nos aviões. O Shin Bet ainda não respondeu a uma mensagem da Associated Press para comentar o assunto.

As acusações de crimes de guerra baseavam-se na atuação de Almog como comandante do Exército de Israel em Gaza em 2002, quando as forças israelenses destruíram 59 casas no campo de refugiados de Rafah.

O Centro Palestino pelos Direitos Humanos apresentou uma queixa contra o general em Londres com base em um artigo da lei local que permite ao país indiciar estrangeiros por crimes de guerra mesmo que não haja envolvimento direto da Grã-Bretanha ou de cidadãos britânicos.

Funcionários de alto escalão de governos estrangeiros, como chefes de Estado, estão imunes a ordens de prisão e a processos. Mas Almog, que viajara à Grã-Bretanha para arrecadar dinheiro para um centro que cuida de crianças com danos cerebrais, não gozava de imunidade.

A ordem de prisão contra Almog mais tarde foi arquivada por falhas em sua elaboração, mas as autoridades israelenses ainda temem que o general seja preso em uma eventual viagem ao exterior.

Em dezembro último, o ministro de Segurança Pública de Israel, Avi Ditcher, recusou um convite para visitar a Grã-Bretanha por temer ser detido por participação no assassinato de um destacado ativista do Hamas em Gaza em 2002.

 
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