Kosovo independente obtém o reconhecimento de cinco potências mundiais
Pristina - A República de Kosovo, ex-província sérvia que se declarou independente no domingo, deu na segunda-feira seu primeiro grande passo para consolidar-se como o mais novo Estado do mundo, ao receber o reconhecimento de cinco grandes potências mundiais: EUA, França, Alemanha, Itália e Grã-Bretanha. Vários outros países da União Européia já manifestaram intenção de reconhecer o novo país. Do lado sérvio, o primeiro dia de independência de Kosovo, território de maioria albanesa, foi marcado por protestos.
"Os kosovares são agora independentes", disse na segunda-feira o presidente americano, George W. Bush, em visita à Tanzânia. A Sérvia, que disse no domingo que Bush ficará marcado como inimigo do país, anunciou na segunda-feira a retirada de seu embaixador nos EUA. "O apoio americano à independência de Kosovo mostra a verdadeira face dos EUA", disse o primeiro-ministro Vojislav Kostunica.
O chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse na segunda-feira que o reconhecimento de Kosovo "é um tema muito complexo". "Será preciso estudar as implicações legais, pois isso pode valer para outros países."
O reconhecimento do novo país divide a comunidade internacional. Num claro indício de falta de consenso e divisão do bloco, a UE liberou seus membros para que decidam individualmente a relação com Kosovo. A Espanha, que tenta conter uma série de movimentos separatistas em seu território, já anunciou que não reconhecerá o novo Estado.
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A principal surpresa da segunda-feira, no entanto, foi o reconhecimento de Kosovo como Estado soberano por parte da Turquia, que há décadas trava um confronto violento com separatistas curdos. O governo turco afirmou que o reconhecimento tem como base "os laços históricos e culturais que unem a Turquia a Kosovo".
No enclave servo-kosovar de Mitrovica e em Belgrado milhares de sérvios saíram às ruas para protestar contra a separação do território. Pelo segundo dia consecutivo, a polícia de Mitrovica relatou uma explosão perto de prédios da ONU. O incidente não deixou feridos.
O governo de Belgrado anunciou na segunda-feira ter apresentado uma denúncia penal contra o presidente kosovar, Fatmir Sedju, o premiê, Hashim Thaci, e o presidente do Parlamento, Jakup Krasniqi, por terem "organizado a proclamação de um Estado falso em território da Sérvia". Além disso, o chanceler sérvio, Vuk Jeremic, disse que o país bloqueará o acesso de Kosovo a organizações internacionais. "Esse chamado Estado de Kosovo nunca fará parte da ONU", alertou Jeremic.
Contando com o apoio da Rússia, tradicional aliada de Belgrado, a ameaça de Jeremic deve se concretizar. Membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, a Rússia vetará o reconhecimento de Kosovo.
Belgrado, por sua vez, vetará a entrada do território na Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e no Conselho da Europa.
Analistas afirmam que o novo Estado corre o risco de ficar num limbo legal. "Sem uma resolução clara das Nações Unidas, a situação fica muito mais complicada", disse à AE o especialista em Europa do centro de estudos americano Council on Foreign Relations, Charles Kupchan. Para ele, a esperança para Kosovo é que, em longo prazo, com o reconhecimento de vários países, o novo status do território se torne fato consumado.