35 detidos em operação da polícia francesa nos subúrbios de Paris
VILLIERS-LE-BEL, França - Mais de mil policiais franceses, muitos deles mascarados, lançaram uma operação de busca em conjuntos habitacionais situados nos arredores da capital, Paris, nas primeiras horas da segunda-feira.
Os policiais arrombaram as portas de diversas casas e pelo menos 35 pessoas foram detidas durante as buscas por pessoas suspeitas de liderar distúrbios ocorridos no fim do ano passado.
As operações concentraram-se em Villiers-le-Bel e nas vizinhas Sarcelles, Gonesse e Arnouville, quatro cidades dormitório próximas de Paris, informou a polícia.
Temendo uma possível reação violenta dos jovens à operação, o comando da polícia ordenou 450 policiais a passarem a noite de domingo em Villiers-le-Bel, informaram autoridades locais.
Marie-Therese de Givry, promotora de Pontoise, disse que 35 pessoas foram presas. A idade dos detidos varia de 19 a 31 anos e a maioria tinha passagem anterior pela polícia.
Críticos qualificaram a operação policial, capturada pelas câmeras de tevê, como "um espetáculo de segurança" com o intuito de melhorar a imagem do governo do presidente Nicolas Sarkozy perante seus eleitores nas semanas que antecedem as eleições municipais.
Recentemente, Sarkozy prometeu melhorar a vigilância nessas áreas altamente negligenciadas, habitadas principalmente por imigrantes e descendentes.
Em 2005, uma revolta iniciada em uma cidade dormitório nos arredores de Paris deflagrou distúrbios que se espalharam pela periferia das principais cidades da França.
As operações do domingo estenderam-se por horas. Os policiais invadiram casa por casa. Acredita-se que delinqüentes comuns e pequenos traficantes estejam entre os presos. A promotora disse que um dos suspeitos foi pego com 7.400 euros nos bolsos.
Os policiais arrombaram diversas portas. "Sabemos que isso pode ser traumático em famílias com crianças", disse De Givry. "Mas havia o risco de os suspeitos fugirem", alegou.
Em novembro do ano passado, dois adolescentes numa motocicleta morreram num choque com um carro de polícia em Villiers-le-Bel. Policiais e autoridades locais alegam ter sido um choque acidental, mas a população local não ficou convencida.
O episódio deflagrou distúrbios, mas a violência não se equiparou às três semanas de caos ocorridas no fim de 2005. A maior parte dos participantes eram árabes ou negros, filhos e netos de imigrantes de ex-colônias francesas frustrados com a discriminação e o isolamento social. |