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20.02.2008 imprimir Imprimir
 

Exilados cubanos de Miami têm reação tímida à saída de Fidel

Os exilados cubanos presentes em Miami manifestaram na terça-feira um discreto alívio por conta da renúncia de Fidel Castro, mas disseram que Cuba já havia se descolado de seu líder de tantos anos e que as mudanças seriam inevitáveis.

A notícia de que Fidel não procurará regressar aos cargos de presidente e de chefe das Forças Armadas do país não provocou celebrações nas ruas de Little Havana, o berço da comunidade localizado a oeste do centro de Miami e onde moram muitos dos 650 mil dissidentes cubanos presentes na cidade.

"É muito bom que Fidel renuncie. Mas se Fidel morresse, seria ainda melhor", afirmou Juan Acosta, um cubano que saiu da ilha caribenha em 1980, ao comprar um jornal na Calle Ocho, a rua principal de Little Havana.

"O sistema de governo dali está quase no fim. A gente está assistindo ao final dele", disse Acosta, que, como muitos cubanos de Miami, possui familiares na ilha, no caso dele a mãe e uma irmã. "A ditadura está acabada."

A Fundação Nacional Cubano-Americana, Canf, a principal organização anti-Fidel no exílio, disse que a renúncia do líder cubano "abre um novo capítulo na história da revolução e na história do povo cubano".

"Depois de 50 anos, não há mais o regime de um homem só em Cuba porque os sucessores dele não conseguirão manter o mesmo poder e a mesma posição que ele deteve durante os últimos 50 anos", afirmou o presidente da Canf, Francisco "Pepe" Hernandez.

Fidel, 81, disse que não regressaria ao cargo de chefe de Estado 49 anos depois de ter tomado o poder em uma revolução armada responsável por levar dezenas de milhares de cubanos ao exílio.

POUCA EMPOLGAÇÃO

O dirigente cubano não aparece em público desde que se submeteu a uma cirurgia no abdômen, há quase 19 meses.

As ruas de Little Havana foram tomadas por ruidosas manifestações quando Fidel anunciou, em julho de 2006, que estava entregando o poder temporariamente a Raúl, irmão dele.

Mas nos restaurantes Versailles e La Carreta, onde muitos exilados e ex-autoridades cubanos de mais idade costumam se encontrar para falar sobre política, não havia na terça-feira um clima de empolgação.

Alguns motoristas tocavam a buzina de seus carros quando viam furgões de equipes de TV.

Rafael del Castillo, que veio para os EUA em 1966, disse ter esperanças de que o sucessor de Fidel, Raúl, comece a adotar mudanças imediatamente, começando por libertar os prisioneiros políticos.

"Ele precisa começar com a libertação das pessoas presas por motivo nenhum", afirmou Del Castillo. "O irmão dele começará a abrir (Cuba) para o mundo, a abrir parte do setor comercial para o mundo. Essa é a única alternativa."

Um cubano que disse se chamar Manolo afirmou ter chegado aos EUA nas primeiras ondas de exilados, em 1961. Ele contou ter realizado uma reunião de três horas com Fidel Castro em 1959 e disse que o líder hoje convalescente continuaria a ter influência sobre os rumos de Cuba.

"Esse é um homem que está com mais de 80 anos e doente, cuja cabeça está fraca. Mas ele ainda consegue pensar. Ele ainda tentará dizer a Raúl certas coisas", afirmou. "Acho que Fidel continuará a ser importante."

 
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