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20.02.2008 imprimir Imprimir
 

Velhas alianças com os Clinton influenciam superdelegados

O grupo cada vez menor de funcionários eleitos e líderes partidários que se declaram indecisos na disputa presidencial democrata, cerca de 300 dos 795 superdelegados que podem ter a palavra final na seleção do indicado do partido, inclui ao menos 30 pessoas que mantêm longos relacionamentos com a família Clinton.

Mas de 100 deles vêm de Estados cujos eleitores já se pronunciaram nas primárias em favor de Obama, em muitos casos por maiorias esmagadoras. E, em um ano no qual a senadora Hillary Clinton obteve boa parte de seu apoio junto ao eleitorado feminino, entre os indecisos há duas vezes mais homens do que mulheres.

Mesmo em um momento no qual Hillary está enfrentando dificuldades para manter os superdelegados que já conquistou, ambos os candidatos consideram que os 300 superdelegados que ainda não declararam seus votos são provavelmente o eleitorado mais importante pelo qual estarão competindo nos próximos meses. As direções de campanha forneceram ao New York Times listas dos superdelegados que os apóiam, o que serve como base para uma - que formará um dos campos de batalha decisivo da disputa do partido.

Os alvos dos candidatos, um eleitorado de elite, atravessam um momento de profunda mutação. Os superdelegados têm de enfrentar muitas pressões políticas contraditórias, especialmente depois que Hillary perdeu sua vantagem inicial como franca favorita à indicação do partido, e dada a pressão que ela pode exercer sobre as lideranças para que se alinhem a ela.

E estas ocupam uma posição com a qual não estão acostumadas, devido ao fato de que nem Hillary, nem Obama devem conquistar os 2.025 delegados de que precisam para garantir a indicação antes do final da temporada de primárias eletivas, de modo que precisarão dos superdelegados para garantir a nomeação.

Os superdelegados não têm a obrigação de votar como declaram. E alguns deles já estão se mostrando dispostos a mudar de idéia, como Hillary descobriu no caso do deputado John Lewis, da Geórgia, que mudou de rumo e anunciou que votaria em Obama na convenção.

"Eu vou entrar para o programa de proteção de testemunhas", disse Debbie Kozikowski, uma superdelegada indecisa de Massachusetts, Estado no qual a senadora Hillary venceu. "Eu disse ao presidente Clinton no domingo à noite, quando ele me telefonou, que continuava indecisa. Eu disse a ele que apreciava o fato de ele ter ligado, mas nem ele vai conseguir me convencer a agir contra minha vontade".

Esse universo de superdelegados indecisos inclui 46 membros do Congresso, que receberam US$ 333,9 mil em doações de campanha de um comitê de ação política estabelecido por Obama. Mas também incluem alguns democratas que sempre doaram dinheiro para as campanhas dos Clinton, o que faz com que os assessores de Hillary Clinton tenham alguma esperança, em seus esforços diários de obter apoio por meio de telefonemas.

A lista de Hillary demonstra até que ponto ela se beneficiou de ser parte da primeira família a fazer sucesso político entre os democratas, em mais de 15 anos. Sua base de superdelegados inclui 12 senadores, ante oito no caso de Obama, e 72 deputados federais, ante 62 para Obama. E ela também conta com o apoio de cinco ex-presidentes do Comitê Nacional Republicano, além de 150 membros do comitê, ante 87 para Obama.

A lista de Hillary menciona o apoio de diversos líderes presentes e passados do comitê, o que indica até que ponto ela era vista, pelo menos em um determinado momento, como a candidata "oficial" do partido. Entre eles Robert M. Strauss, Joe Andrew, Steve Grossman e Ken Curtis. (O presidente do comitê de campanha de Clinton, Terry McAuliffe, como ex-presidente do comitê nacional democrata, também é superdelegado).

A lista da senadora inclui também outros leões do partido, entre os quais o antigo vice-presidente Walter Mondale e dois ex-líderes da maioria democrata na Câmara, Dick Gephardt, do Missouri, e Jim Wright, do Texas. Além disso, a lista reflete os esforços da candidata para obter apoio das lideranças trabalhistas, como Randi Weingarten, que deve assumir a presidência da Federação Norte-Americana de Professores, e Gerald McEntee, presidente da Federação Norte-Americana de Funcionários Públicos Estaduais e Municipais.

Obama desfruta do apoio dos ocupantes de cargos eletivos nos Estados republicanos e indecisos, um reflexo, segundo seus assessores, das preferências políticas de democratas atentos em Estados como o Kansas e o Dakota do Norte, que acreditam que uma chapa encabeçada por Clinton poderia prejudicar as coisas para os candidatos do partido nesses Estados.

E embora a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, não tenha declarado sua preferência, membros importantes de seu grupo legislativo na Califórnia optaram por Obama, entre os quais o deputado californiano George Miller, que representa os interesses políticos da presidente da Câmara no Estado.

Isso não escapou à atenção dos 86 democratas da Câmara que ainda não anunciaram suas preferências. Com base em listas fornecidas pelas direções de campanha, Hillary dispõe hoje de 256 superdelegados, ante os 170 de Obama. Isso não inclui os superdelegados de Michigan e da Flórida, cuja participação é alvo de disputa. O Comitê Nacional Democrata afirmou que os delegados dos dois Estados não participarão da convenção porque as primárias estaduais foram realizadas antes das datas determinadas pelo partido.

Os superdelegados indecisos incluem, pelo cômputo mais recente, dez governadores e 26 senadores, bem como os líderes da maioria dos 50 comitês estaduais democratas, além de 12 líderes sindicais, um fazendeiro e um ex-presidente dos Estados Unidos —nos dois últimos casos, Jimmy Carter, que não pretende divulgar sua preferência, de acordo com seus assessores, e não quis ser entrevistado.

 
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