Para Mantega, status de credor vai acelerar investment grade
Rio - O fato de o País ter se tornado credor líquido - tem mais reservas cambiais do que dívida externa - vai acelerar a classificação de investment grade para a economia brasileira. A avaliação foi feita na quinta-feira pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega. A situação atual, disse o ministro, permite ao Brasil "impor respeito" em meio à crise de crédito internacional
De maneira simplificada, o investment grade (grau de investimento) representa uma espécie de indicação das agências especializadas de que o risco de investir em determinado país é muito baixo. Estas agências atribuem notas para o grau de risco de cada país.
Mantega, que esteve na quinta-feira no Rio, comemorou o fato de as reservas (US$ 188,5 bilhões) terem ultrapassado o valor da dívida externa (US$ 184,5 bilhões). Isso aconteceu pela primeira vez na história do País. "O Brasil sempre deveu para alguém desde 1500", afirmou, citando Portugal, Inglaterra, Estados Unidos, Clube de Paris. "As nossas reservas superam o que se tem para pagar", afirmou, com a vantagem de que o crédito é "à vista" e a dívida, de longo prazo.
"Isso nos deixa numa situação bastante confortável", disse. Ele lembra que nos momentos em que faltava o crédito na economia internacional, e a dívida externa era muito superior às reservas, havia um "efeito deletério sobre a economia". "Quando havia crédito internacional abundante, tudo ia bem. Mas quando faltava crédito e a taxa de juros era elevada, as coisas apertava", explicou Mantega.
O ministro chegou a comentar que o cenário atual "habilita o País a ter um papel de protagonista no cenário internacional". Segundo ele, o Brasil é hoje respeitado, dentre outros motivos, porque acumula recursos. Ele analisa que essa situação "veio para ficar" e que a economia brasileira vai continuar aumentando as reservas cambiais.
Mantega também explicou que quem decide pela classificação são as chamadas agências de rating. Comentou que um dos elementos analisados pelas agências são a situação externa do País, além da situação fiscal.
Segundo ele, a obtenção do grau pode sair mais rapidamente por uma agência, em detrimento das demais. Citou, por exemplo, que a Moody’s, "mais conservadora", analisa a dívida bruta e não a líquida (que desconta o valor das reservas), "o que a meu ver é um absurdo". "Nós deveremos demorar mais tempo para ser investment grade na Moody’s e provavelmente mais rapidamente na Standard & Poor’s e na Fitch".