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23.02.2008 imprimir Imprimir
 

PF prende no Rio quadrilha que fraudava o INSS

Rio - Oito pessoas foram presas na quinta-feira (21) pela Polícia Federal (PF) sob a acusação de fraudar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O prejuízo foi de R$ 6 milhões nos últimos seis meses, segundo estimativa do INSS. Todos os mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal foram cumpridos. Os presos - dois agenciadores, um estagiário e cinco advogados, entre eles dois filhos de um juiz - são acusados de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, uso de documento falso e falso testemunho. Caso haja condenação, as penas individuais podem chegar a 23 anos e 8 meses de reclusão, além de multa.

De acordo com a investigação, realizada pela PF e pelo INSS nos últimos seis meses, a quadrilha recrutava pessoas no interior do Estado para requerer na Justiça aposentadorias rurais falsas. "Eles (os acusados) tinham a audácia de ir às cidades com carro de som e apresentar a fraude como uma ação do governo federal", afirmou o superintendente regional da PF, Valdinho Jacinto Caetano. "O interesse da quadrilha era no falso passivo. Eles pleiteavam os atrasados e ficavam com o dinheiro."

Os acusados se apresentavam como funcionários do governo, pediam aos segurados que assinassem procurações e recolhiam as carteiras de trabalho deles, segundo a PF. A operação teve a participação de 50 policiais e foi batizada de Kabuf, termo usado pelos acusados ao final de diálogos em conversas interceptadas pela PF.

Os segurados recebiam a aposentadoria de valor mínimo (R$ 380), e seus parentes, uma pensão em caso de morte do segurado. A quadrilha ficava com as parcelas atrasadas e, em alguns casos, com parte dos benefícios. Os atrasados, quando reconhecida a prescrição pela Justiça, representavam o valor aproximado de 65 meses. Documentos foram apreendidos com os presos. Beneficiários do INSS ainda serão ouvidos pela PF, que apura o suposto envolvimento deles no esquema.

A PF estima que a quadrilha ainda tenha cerca de 1,2 mil ações ajuizadas. A vantagem somente em parcelas atrasadas, em caso de êxito na Justiça, poderia alcançar R$ 29,6 milhões, segundo a investigação.

O superintendente da PF afirmou que não há indícios da participação do juiz no esquema. Os filhos dele, os advogados Tales Donato Scisinio e Mateus Donato Scisinio, foram presos em Itaocara e Niterói, respectivamente.

Além deles, foram presos Igor Scisinio Pontes, primo de Tales e Mateus e formado em direito, o advogado Marcos Thadeu Duarte Peçanha, que estava junto com Mateus em Niterói, os advogados Diogo Tostes Dias e Renato José Fernandes, Carlos Nicolau Cursio, conhecido como Maradona e apontado como agenciador (segundo a investigação, ele cooptava pessoas interessadas em ajuizar ação judicial para obtenção de aposentadoria rural), e Nimer Juni Titonelli Mansur, também apontado como agenciador. Os presos não deram entrevista. Eles prestaram depoimento na Superintendência da PF e seriam encaminhados para a carceragem da Polinter. Advogados dos acusados não foram localizados.

 
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