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23.02.2008 imprimir Imprimir
 

Ronaldo diz que não sabe se conseguirá voltar aos campos

Paris - Ronaldo sonha em voltar aos gramados, mas não sabe se será possível. Abatido, o atacante do Milan concedeu ontem, em Paris, sua primeira entrevista desde o rompimento do tendão patelar do joelho esquerdo, ocorrido há 10 dias, no jogo entre Milan e Livorno, pelo Campeonato Italiano.

Ao deixar o Hospital Pitié-Salpêtrière, onde sofreu uma cirurgia e ficou internado, o Fenômeno reconheceu que a grave lesão pode levá-lo a encerrar a carreira. "Tenho muita vontade de voltar a jogar. Meu coração diz para ainda voltar a jogar", afirmou Ronaldo, antes de completar, em tom realista: "Mas preciso ver o meu físico. Meu corpo está dando sinais de que está muito cansado, de que precisa descansar".

As declarações foram feitas a mais de 50 jornalistas do Brasil, da Itália e da França que se reuniram para a entrevista. Ronaldo, de 31 anos, chegou de carro à sala reservada para o encontro com a imprensa às 12h10 (horário local). Acompanhado pela namorada, a engenheira Ana Beatriz Antony, de seu empresário, Fabiano Farah, do fisioterapeuta Bruno Mazziotti, do ex-jogador Leonardo, hoje dirigente do Milan, e da equipe médica, Ronaldo desceu e, assediado por uma multidão de fotógrafos, percorreu de muletas o percurso até a bancada na qual falaria.

Com a perna esquerda imobilizada, o atacante tinha a expressão fechada. Começou admitindo que a lesão - idêntica à sofrida no joelho direito em 2000 - é um golpe duro em termos físicos e "duríssimo mentalmente". "Ainda não acredito que isso aconteceu de verdade", lamentou, ressaltando que seu pensamento está concentrado na reabilitação.

A seguir, falando sem rodeios e de forma transparente, Ronaldo disse que sonha em estender a carreira e que fará todo o esforço para alcançar o objetivo. "Vou fazer todo possível, lutar com todas as minhas forças para voltar a jogar, para recuperar 100% da minha forma física." A condição para o eventual retorno é o fim do martírio. O atacante não quer nem dor, nem receio no seu futuro. Caso contrário, admitiu, a aposentadoria pode ter chegado. "Se for de outra maneira, vai ser uma decisão difícil, dura, triste para mim e creio que para muitos também: será o momento de deixar o futebol."

O atacante disse, contudo, ver um ponto positivo no fato de ter sofrido uma lesão similar aos 23 anos. Ronaldo lembrou conhecer cada etapa da reabilitação física, mas espera não ter de passar pelos mesmos atrasos que enfrentou em 2000, quando da recuperação do joelho direito. "Ninguém naquela época tinha experiência com uma recuperação daquela lesão. Hoje em dia nós sabemos, temos mais experiência", consolou-se, recusando-se a estimar um tempo para voltar à melhor forma.

Ele dará continuidade ao trabalho de fisioterapia passiva - em que um equipamento estimula o movimento do joelho operado - na França, onde descansará com a família nos próximos 10 dias. Só depois disso voltará a Milão, onde discutirá o programa de reabilitação. O Fenômeno confirmou que deseja dar continuidade ao tratamento em sua clínica, a R9, no Rio de Janeiro, mas não sabe precisar a data de sua viagem para o Brasil.

Ainda na entrevista, Ronaldo foi breve, mas comentou as declarações de Bernardino Santi, médico do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), de que teria sido submetido a tratamento com anabolizantes durante sua passagem pela Holanda. Especialista em doping, Santi atribuiu as sucessivas lesões do atacante a seqüelas deixadas pela suposta terapia para ganho de massa muscular quando atuava pelo PSV. "Não tenho absolutamente nada a dizer sobre o assunto. Nunca fiz uso de anabolizantes", argumentou. "A pessoa que falou, nunca vi na minha vida. Nunca trabalhou comigo." Ronaldo atuou na Holanda de 1994, quando deixou o Cruzeiro, aos 17 anos, até 1996, quando foi negociado pelo PSV com o Barcelona.

Sobre seu contrato com o Milan, que se encerra no dia 30 de junho, Ronaldo disse não saber o que dizer. "O Milan é uma casa para mim. Tenho uma grande família me esperando lá. Mas não estou em condições de falar de um contrato", admitiu. Nesse momento, Leonardo interveio, afirmando em italiano que os dirigentes do clube já demonstraram interesse na renovação.

Questionado, então, se sua carreira poderia ter continuidade no Brasil, jogando pelo Flamengo, seu clube de coração, o maior artilheiro das Copas do Mundo (15 gols em 1998, 2002 e 2006) deu mais um sinal evidente de que cogita encerrar a carreira. O Fenômeno reforçou que seu desejo seria atuar no clube carioca, porém reconheceu que o desafio agora é maior. "Sempre foi o meu sonho jogar e terminar minha carreira no Flamengo. Mas estamos na frente de um grande obstáculo e para voltar a pensar no Flamengo, ou em uma possível despedida do futebol, primeiro tenho de superá-lo."

 
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