Stock Car contesta acusações de Russo, e pilotos pedem antidoping
São Paulo - Pilotos e dirigentes envolvidos na Stock Car comentaram na quarta-feira as declarações do piloto Renato Russo sobre o fato de vários competidores ingerirem bebidas alcoólicas e drogas antes de corridas. Representantes da comissão dos pilotos da categoria, Cacá Bueno e Luciano Burti dizem que cobram há dois anos o antidoping nas competições, mas a aplicação dos exames parece longe de ser executada.
Questionado se era contra ou a favor da implementação do antidoping na Stock Car, o presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Paulo Scaglione, mostrou-se indiferente ao assunto. "Não sou contra e nem a favor, mas acho que não vai levar a nada", declara. "No automobilismo as coisas são bem diferentes do que em outros esportes. Se você pegar o caso de um doping de nadador, leva dois, três anos para ser resolvido. Se considerar esse tempo, depois de três anos o cara nem está mais correndo na mesma categoria", emendou.
Mas, em comunicado oficial emitido no fim da tarde da quarta, a entidade informou: "A CBA está atenta à necessidade da implantação do procedimento. Entretanto, mesmo já tendo o patrocínio da Vicar, só vai implantá-lo após a conclusão do estudo feito no projeto apresentado pelo Dr. Dino Altman, que inclui escolha de equipamento, treinamento de pessoal especializado, credenciamento de um laboratório especializado para a análise, entre outras providências".
Mais: o comunicado ainda informa que "a matéria publicada será encaminhada para a Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBA", o que significa que Russo, que pilota na Stock Car Light, categoria de acesso à principal, poderá ser advertido ou punido.
Russo foi personagem no acidente que matou Rafael Sperafico na última prova da Stock Car Light em 2007, em Interlagos - Sperafico escapou na curva do Café, bateu no muro e voltou à pista, onde teve seu carro atingido pelo de Renato Russo. Ele questionou procedimentos de segurança da categoria e acusou pilotos de ingerir drogas e bebidas alcoólicas antes das corridas.
O promotor da Stock Car, Carlos Col, afirma que a categoria está disposta à realização dos testes. "Sou a favor. Já entramos em contato com a Vicar (promotora do evento) e demos toda a liberdade ao Dino Altman (médico da categoria) para ele levantar o que é preciso para a realização desses exames. O problema não são os custos, mas a aplicação e a regulamentação devem ser feitas pela CBA", explica Col.
Os pilotos procurados pela reportagem são a favor dos testes. "Sou 100% a favor. Há dois anos a comissão dos pilotos pede o antidoping - nós inclusive fizemos um relatório e entregamos ao Col na corrida de Curitiba do ano passado. Eu nunca vi ninguém entrar alterado na pista, até porque droga e bebida não aumenta a performance, mas acho que o antidoping mostraria como nosso esporte é sério e poderia servir de inibidor", opina Luciano Burti.
O bicampeão Cacá Bueno completa: "O uso de substâncias ilícitas acontece no âmbito social, artístico e até esportivo - não posso falar que não exista, já que o universo do automobilismo é tão grande. Evitaria a entrada de pilotos que não são profissionais na nossa categoria." |