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27.02.2008 imprimir Imprimir
 

Jobim anuncia viagem para criação de conselho de defesa

Buenos Aires - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou que iniciará em março uma viagem pelos países da América do Sul para propor a criação de um conselho sul-americano de defesa. O primeiro país onde o assunto será discutido oficialmente será a Venezuela, durante viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Queremos a formulação de uma política de defesa do continente", declarou o ministro, avisando que "haverá uma tentativa comum de criação de uma indústria de defesa sul-americana". O ministro disse ainda que "no futuro os países poderão até fabricar armas conjuntamente para as Forças Armadas da região e, depois, exportá-las".

Jobim voltou a defender a modernização das Forças Armadas, ressaltando, no entanto, que isto tem de ser feito por meio de avanço tecnológico e desenvolvimento de uma indústria de defesa no País. "Não há que se pensar no avanço tecnológico das Forças Armadas sul-americanas sem que haja no continente capacitação e fabricação dos insumos necessários para não ficarmos dependentes de terceiros", declarou o ministro, que explicou que esta indústria seria privada, mas que, naturalmente teria como cliente as Forças Armadas dos países da região.

Esta viagem pelos países da região para discutir a criação do conselho sul-americano de defesa já havia sido autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em novembro do ano passado. O ministro Jobim pretendia iniciá-la em janeiro, mas acabou adiando a iniciativa para março. Segundo ele, até junho, todos os países da região já deverão ter sido visitados.

O objetivo deste conselho, de acordo com o ministro, é que "todos os países sul-americanos tenham uma única palavra sobre defesa nos foros internacionais". Jobim que, até final de junho pretende ter visitado a maior parte dos países da região, revelou que, depois da Venezuela, voltará a Argentina para tratar do assunto e irá ao Uruguai, ao Paraguai e ao Chile, em seguida, para discutir o assunto "com mais consistência". Ele disse ainda que os países poderão passar a "realizar mais exercícios conjuntos, promover mais trocas militares e formular estratégias para defesa do continente".

A idéia de Jobim é que, em outubro, possa ser realizada, em Brasília, a primeira reunião para a criação do conselho sul-americano de defesa.

Questionado se este conselho funcionaria como uma espécie de OTAN, ele disse que não. "Não seria neste sentido. Esta é uma solução clássica, antiga, do pós guerra e não é isso", comentou ele, salientando que quer que os países da região tenham uma voz única nos foros internacionais de defesa.

As afirmações do ministro foram feitas na Base Aérea de Buenos Aires, pouco antes de embarcar de volta para o Brasil. Jobim integrou a comitiva de Lula na visita oficial à Argentina, onde foram assinados acordos na área de defesa. Na entrevista, o ministro informou ainda que "estão bastante avançadas" as negociações entre a Embraer e o governo argentino para que a empresa brasileira encampe a fábrica da norte-americana Lockhed. Os argentinos querem que a Embraer revitalize e transforme esta fábrica de Córdoba em centro de manutenção e fabricação de algumas peças de avião. Mas, em contrapartida, lembrou o ministro, a Embraer está exigindo que sejam adquiridos aviões da empresa, mas não revelou quantos. Citou apenas ter conhecimento dos argentinos pelo Legacy.

Embora a imprensa argentina esteja dizendo que este modelo poderia ser usado como avião presidencial na Argentina, o ministro Jobim declarou que não estava participando desta discussão. "O governo argentino precisa definir a compra de aviões da Embraer porque esta operação para a revitalização da fábrica de Córdoba seria uma operação casada", afirmou ele.

Outro modelo que estaria sendo negociado entre a Embraer e os argentinos é o EMB-170. Jobim ressalvou que, no entanto, toda esta negociação é uma questão privada, da Embraer com o governo argentino.

 
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