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27.02.2008 imprimir Imprimir
 

Crise do crédito ameaça milhares de estudantes em busca de crédito educativo

A crise no mercado de crédito nos Estados Unidos ameaça milhares de estudantes do país, já que se tornou mais difícil obter empréstimos para financiamento do ensino superior, o crédito educativo.

"Eu estou nesse mercado há 15 anos e não me lembro de já ter visto algo assim", afirma à AFP Kevin Walker, diretor-presidente da corretora de empréstimos SimpleTuition.

Até agora pouco afetada pelas turbulências do mercado financeiro, a área de empréstimos estudantis é crucial para um país onde o ciclo universitário de quatro anos em uma faculdade particular custa aproximadamente 32.300 dólares, incluindo custos de alojamento, segundo a associação College Board.

Como exemplo dessas dificuldades, uma agência pública especializada do Estado de Michigan vai interromper a distribuição de certos empréstimos estudantis, afirmando que "não há capital disponível suficiente".

O fato de aproximadamente 80% desses empréstimos terem o Estado como garantia parece ter preservado até agora o setor.

Contudo, inúmeros estudantes não conseguem pagar todos os custos dos seus estudos com esse crédito, tendo que recorrer a empréstimos inseguros para completar o financiamento.

"Muitos credores estão saindo do mercado", afirma Walker. Para ele, essa nova crise é explicada pelas turbulências do mercado e por uma lei de 2007 que reduziu o total de subsídios repassados aos credores.

Para Mark Kantrowitz, criador do site especializado FinAid, a reação do mercado é exagerada e as taxas de juros para empréstimos inseguros devem crescer em 1% (um ponto) durante o ano.

"No momento, as famílias e os estudantes ainda não notaram as mudanças em curso", afirma Walker. "Mas no próximo verão, milhares de estudantes vão ter perdas", acrescenta.

"Um número grande de estudantes vai ter decidir se vai ou não para a universidade", acrescenta Walker.

Não é de se surpreender que os primeiros candidatos a serem afetados são os clientes "subprime", que têm menos garantias em caso de não reembolso. A quota dessas pessoas deve aumentar em cerca de dez por cento nos empréstimos não garantidos pelo Estado, diz Kantrowitz.

E as dificuldades encontradas por esses clientes poderão aumentar até mesmo nos empréstimos garantidos pelo Estado. O gigante do setor, Sallie Mae (SLM), que é visto como o braço financeiro do governo, anunciou no início de janeiro que sua política de empréstimos será "mais seletiva" no futuro.

No ano passado, um consórcio formado por fundos de investimento J.C. Flowers e pelos bancos JPMorgan Chase e Bank of America, ofereceu US$ 25 bilhões pela Sallie Mae. Contudo, a operação não foi bem sucedida, pois o consórcio considerou que o desempenho das suas metas havia sofrido com a crise financeira e as modificações no ambiente regulador.

 
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