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01.03.2008 imprimir Imprimir
 

Sarkozy se diz disposto a ir à selva colombiana resgatar Ingrid

Paris - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu na quinta-feira às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que libertem a ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt e advertiu: "É uma questão de vida ou de morte Estamos diante de uma questão humanitária."

"Estou pronto para ir pessoalmente encontrar Ingrid Betancourt na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia se isso for uma condição", disse o presidente francês, reiterando sua oferta para ajudar a pôr um fim no martírio da política franco-colombiana.

A notícia de que Ingrid está muito doente mudou o tom dos discursos em Paris. Impressionados pelo relato de Luis Eladio Pérez, um dos quatro reféns libertados na quarta-feira pela guerrilha colombiana, políticos, parentes e ex-reféns reunidos na quinta-feira na França aumentaram as críticas às Farc e ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, alertando: "Ingrid está morrendo." As declarações foram feitas horas após Pérez ter anunciado que a ex-candidata "está mal e é maltratada pela guerrilha."

Enquanto Sarkozy pregava o entendimento, coube ao premiê François Fillon a tarefa de endurecer o discurso em relação aos guerrilheiros. "Agora, é realmente responsabilidade das Farc. Eles mostraram que são capazes de libertar os reféns", afirmou, antes de questionar: "Por que não Ingrid Betancourt?" Nos bastidores diplomáticos franceses, o tom agressivo das autoridades políticas encontrava explicação. "As notícias que temos nunca foram tão ruins, tão graves", disse à AE uma fonte da chancelaria.

No início da tarde, foi a vez dos parentes de Ingrid manifestarem sua inconformidade. Em entrevista coletiva, o filho de Ingrid, Lorenzo, e seu pai, Fabrice Delloye, usaram a mesma frase: "Não temos mais tempo." Mas o ex-marido de Ingrid foi mais longe: "Ingrid está morrendo. Talvez vocês saibam: quando uma hepatite volta, ela se torna ainda mais grave."

Melanie, filha de Ingrid, mostrou-se muito angustiada: "É extremamente inquietante e sei que temos o tempo contado. Mamãe está viva, mas não sei por quanto tempo. Temos de tirá-la de lá o quando antes."

Lorenzo voltou a responsabilizar Uribe pela falta de diálogo com a guerrilha. Também pediu à comunidade internacional que pressione o presidente colombiano a aceitar as condições básicas para um acordo que resulte na troca de 500 rebeldes presos pelos 40 reféns políticos remanescentes: a desmilitarização de uma zona de 800 quilômetros quadrados na região de Pradera e Florida e o diálogo de 45 dias. "As Farc não farão novos gestos de boa vontade. Mas, de toda forma, eles são os perversos da história," disse.

 
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