Farc entregam mais quatro reféns à Venezuela
Caracas - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertaram na quarta-feira quatro reféns que estavam há mais de seis anos em seu poder. Os ex-senadores Gloria Polanco, Luis Eládio Pérez e Jorge Eduardo Gechem e o ex-deputado Orlando Beltrán foram entregues a autoridades venezuelanas e representantes da Cruz Vermelha Internacional perto da localidade de El Retorno, na região do Guaviare, na Colômbia.
As imagens da libertação, divulgadas pela TV estatal venezuelana Telesur, mostravam todos emocionados. "Meus filhos, meus filhos", dizia Gloria enquanto chorava. "Não sabia se teria a chance de ver meus três filhos de novo." Os quatro chegaram caminhando e carregando mochilas. Gechem, que segundo relatos de ex-reféns teve pequenos enfartes no cativeiro, era o mais abatido. De acordo com um guerrilheiro que os acompanhava, a libertação foi atrasada por causa de ações militares das forças colombianas na região - informação que Bogotá nega.
Os quatro foram levados de helicóptero até a cidade de Santo Domingo, já na Venezuela, onde embarcaram em um avião rumo ao aeroporto de Maiquetia, em Caracas. Os ex-reféns chegaram a Caracas na noite de quarta-feira, onde se encontraram com seus familiares e deverão ter um encontro com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Segundo a Cruz Vermelha, eles foram examinados por médicos venezuelanos que concluíram que todos tinham condições de saúde para agüentar os 650 quilômetros até a capital venezuelana. "Eles estão sãos e salvos", disse o porta-voz da presidência da Venezuela, Jesse Chacón.
Essa foi a segunda libertação unilateral de reféns da guerrilha neste ano. Em janeiro, foram soltas a ex-senadora Consuelo Gonzales e Clara Rojas, assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt. As Farc, porém, anunciaram que nenhum outro seqüestrado será libertado até que o governo colombiano concorde em criar uma área desmilitarizada nos municípios de Pradera e Florida por 45 dias para negociar um acordo humanitário.
As Farc ainda mantém em seu poder 40 reféns políticos, que a guerrilha se diz disposta a trocar por 500 rebeldes presos. Desses seqüestrados 33 são militares e 7 são civis. "Chama a atenção o fato de a guerrilha só ter libertado civis", disse ao Estado o cientista político Carlos Medina, da Universidade Nacional da Colômbia. "Provavelmente o que ela espera com essas libertações é conseguir mais legitimidade e reconhecimento internacional - e se os seus prisioneiros fossem todos militares ela teria mais argumentos para pleitear o status de combatente."
Segundo as Farc, a libertação dos ex-congressistas foi um gesto de apoio a Chávez - que se diz disposto a conseguir um acordo humanitário entre Bogotá e a guerrilha, mas teve o seu mandato como mediador suspenso pela Colômbia em novembro. Além disso, os quatro estavam com a saúde deteriorada e os rebeldes disseram que iriam soltá-los para que pudessem receber tratamento. Gloria, por exemplo, sofre de problemas na tireóide. "Acordamos cedinho para acompanhar a operação de resgate pela TV", disse ao Estado a irmã da ex-senadora, Albaluz Polanco, que estava reunida com parte da família em sua casa em Huila, na Colômbia.
Os filhos da ex-congressista estavam em Caracas, junto com a maior parte dos parentes de reféns. No aeroporto, onde eles acompanharam em um telão as imagens da Telesur, o clima era de comoção. |