NEO-STALINISMO CHEGA AO BRASIL
Segundo Lula, o Judiciário não deve meter o nariz no Executivo, ou seja: faça o que digo e não o que faço.
Quando Lula quer se favorecer, passa por cima do Judiciário e do Legislativo, impondo o Executivo como único poder. Como ocorre em todas as CPIs, ele faz chantagens, oferece cargos, tudo para impor sua vontade que é a única lei.
Nas poucas vezes que o Judiciário tinha que agir, de igual maneira Lula impôs sua vontade. Ora oferecendo vantagens de promoções, ora forçando aposentadorias precoces em troca de outros cargos.
Hoje, o poder Judiciário em quase sua totalidade é composto por juízes, que foram apresentados pelo presidente, para poder ter a justiça em suas mãos, já que o legislativo é “pau mandado” e faz o que ele ordena.
Os exemplos estão aí para quem quiser ver.
Por lei, nenhum governante pode lançar projetos sociais em ano eleitoral, para não ser transformado em objeto de troca entre o político e o eleitor.
Dentro deste prisma, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) fez valer a lei, questionando o programa Territórios da Cidadania, lançado na semana passada. Afirmou que o lançamento do programa em ano eleitoral poderia ser contestado judicialmente, fazendo com que o presidente reagisse: “E de repente alguém fala que se entrarem na Justiça vai analisar. Na verdade o Ministro Marco Aurélio Mello deu a senha para o PSDB e para o DEM”, disse Lula.
Ainda dentro de seu desabafo o PresimenTe afirmou que não pode mais governar, se não puder lançar programa social em ano de eleição. ”Se a teoria dele valer, paramos de governar o país. Não posso governar em ano de eleição presidencial e não posso governar no ano que tem eleição municipal. Pergunto-me: quando é que vamos governar o país?”
O PresimenTe disse ainda que: “Seria tão bom se o Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele. Iríamos criar a harmonia que está prevista na Constituição, que a democracia seja garantida. O governo não se mete no Legislativo e não se mete no Judiciário. Se cada um ficar no seu galho, o Brasil tem chance de ir em frente. Se cada um der palpite nas coisas do outro, pode conturbar a tranqüilidade que a sociedade espera de nós”, afirmou o presidente dos PeTralhas.
Barbas grandes, idéias curtas, porque Lula se esquece de todas as vezes em que saiu de seu galho para cantar no galho do outro.
Em sua falação Lula reiterou que Mello tinha a pretensão de entrar na vida pública. “Quem falou essa sandice (Mello) quer ser Ministro da Suprema Corte ou quer ser político? Se quiser ser político, renuncie já e se candidate a um cargo para falar as bobagens que quiser, na hora que quiser”, disse Lula. Agora entendo melhor o que o presidente dos PeTralhas fala: pura bobagens.
Lula convocou os parlamentares a fazer cumprir o papel do Legislativo: “Meus companheiros deputados e senadores, eu acho que vocês têm um papel a cumprir. Mais do que apoiar meu governo e mais do que votar contra os que votam contra, é de fazer valer o Poder Legislativo brasileiro que faz as leis, enquanto o poder Judiciário interpreta as leis. Então é preciso que a gente reordene as instituições brasileiras para que elas funcionem cada vez mais democráticas e cada vez mais harmoniosas.”
Ao dizer o dever dos poderes, Lula se esqueceu de dizer o que ele tem que fazer como representante do poder Executivo, mas descobriu que a água molha, pois só agora ele descobriu que a Constituição fala em três poderes e que cada um deve ser autônomo e que não estão atrelados. Um faz, o outro interpreta e o outro executa, sem interferir um no trabalho do outro.
Lula deveria fazer uso do seu galho e deixar o galho dos demais. Quem sabe assim ele consegue colocar ordem no galinheiro.
As críticas proferidas por Lula ao Judiciário durante a semana confirmam o estilo Neo-Stalinista do PresidenTe.
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