Colômbia diz que Farc querem fabricar bomba radioativa
Genebra - O vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos Calderón, apelou para que a América Latina evite que as que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) tenham acesso a materiais radioativos. Ontem, Santos anunciou em discurso na ONU que o grupo estariam com a intenção de obter material radioativo e que poderia gerar a "bomba suja".
Em entrevista à AE, Santos afirmou que Bogotá irá pedir a ajuda do governo americano para fazer avançar as investigações sobre essa informação. "Vamos contar com a colaboração inclusive do FBI para saber mais detalhes sobre esse plano", disse. O vice-presidente está mantendo reuniões com ministros de todo o mundo nos últimos dois dias na ONU para tentar explicar a posição colombiana e evitar um isolamento.
Segundo ele, as informações foram encontradas nos computadores das Farc, em cartas entre comandantes e Raúl Reyes, morto no último sábado, indicando que o grupo teria recursos financeiros para adquirir 50 quilos de urânio. "A idéia de ter um grupo terrorista com material radioativo é de deixar qualquer um preocupado", afirmou Santos. "Está claro que o poder financeiro do grupo é grande", disse. "Não podemos mais tratá-los com simplicidade", disse.
"Segundo a carta, as Farc estariam dispostas a pagar US$ 2,5 milhões por cada quilo de urânio que certamente viria do mercado negro. Estamos descobrindo coisas surpreendentes", afirmou. "O envolvimento de Rafael Correa, por exemplo, com as Farc é assustador", acusou. Ele também atacou a Venezuela. "Você acha sinceramente que a Venezuela jamais reconhecerá as Farc como um grupo terrorista depois do que estamos descobrindo?", questionou
Santos ainda contou à AE que os computadores foram achados de fato nos acampamentos bombardeados pelo exército colombiano. "Não sabemos para o que esse urânio seria utilizado nem que país viria. O único que a carta diz é que esse material viria de um país", contou.
Em seu discurso ontem na Conferência de Desarmamento da ONU, Santos afirmou que "as Farc estariam negociando material radioativo, base primária para gerar armas sujas de destruição e terrorismo", afirmou.
"Essa informação com acompanhamento internacional indica que com base no poder econômico obtido com o narcotráfico, os grupos terroristas constituem uma ameaça muito grave não apenas para o nosso país, mas para toda a região andina e latino-americana", disse.
O ministro da Justiça do Equador, Gustavo Jalkh, afirmou que achava improvável que um bombardeio pudesse matar guerrilheiros e destruir um acampamento, mas que dois computadores fossem preservados. "Precisamos saber a verdade. Isso tudo é uma manobra. Uma solução para essa crise somente pode estar baseada na verdade e isso tudo me parece distrações do governo colombiano para fugir do ponto principal, que é a agressão flagrante ao território equatoriano", afirmou o ministro que também está em Genebra para reuniões na ONU. Já o vice-presidente colombiano insiste que os computadores foram mesmo encontrados.