Colômbia acusa Chávez de ter dado US$ 300 milhões às Farc
Bogotá - O chefe de polícia da Colômbia, general Oscar Naranjo, disse na segunda-feira que documentos encontrados no computador de Raúl Reyes, número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) morto no sábado em território equatoriano, indicam que a Venezuela pagou recentemente US$ 300 milhões ao maior grupo guerrilheiro colombiano, talvez em troca da libertação de seis reféns.
As declarações foram feitas um dia após o Equador acusar a Colômbia de violar sua soberania, bombardeando e invadindo seu território para resgatar o cadáver de Reyes e de outros 16 rebeldes. O incidente enfureceu o Equador e a Venezuela, que enviaram tropas à fronteira com a Colômbia. O Equador retirou seu embaixador em Bogotá e expulsou o representante diplomático da Colômbia. Na noite de segunda-feira, o Equador rompeu relações diplomáticas com a Colômbia. No domingo, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, prometeu que a Venezuela responderá militarmente se a Colômbia violar suas fronteiras.
De acordo com Naranjo, outros documentos também sugerem que o presidente equatoriano, Rafael Correa, tem profundas ligações com as Farc - uma acusação que o Equador nega - e Manuel Marulanda, líder da guerrilha colombiana, é um próximo aliado do governo venezuelano.
Outros documentos mostram que os rebeldes tinham interesse em comprar urânio, disse o general Naranjo em uma entrevista coletiva, na qual ele criticou a Venezuela e o Equador pelo financiamento e apoio político que os dois países deram aos rebeldes esquerdistas.
"Quando eles mencionam negociações para 50 quilos de urânio isso significa que as Farc estavam dando grandes passos no terrorismo mundial para tornar-se um agressor global. Não estamos falando de guerrilha doméstica, mas terrorismo transnacional", disse Naranjo, sem dar mais detalhes.
Segundo Naranjo, os US$ 300 milhões foram mencionados em uma mensagem de 14 de fevereiro no laptop de Reyes. A Colômbia está investigando se o dinheiro foi enviado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, para obter a recente libertação de reféns, disse o general.
O governo colombiano também pedirá à Organização do Estados Americanos (OEA), que se reúne amanhã em uma sessão de emergência, que ajude a investigar o envio do dinheiro e de armas às Farc.
Outro documento no computador de Reyes sugere que os rebeldes têm ligações financeiras com Chávez desde 1992. Na ocasião, Chávez estava preso por liderar uma tentativa de golpe. "Em uma mensagem, Raúl Reyes fala sobre como Chávez ficou agradecido pelos 100 milhões de pesos (cerca de US$ 150 mil na época) entregues a ele quando estava na prisão", disse Naranjo.
O general também citou outro documento no qual Chávez aparentemente se comprometia a entregar fuzis usados às Farc.
A presidência da Colômbia também divulgou os fax de duas cartas nas quais Reyes fala a outros membros da cúpula das Farc sobre as reuniões que manteve com o ministro equatoriano de Segurança, Gustavo Larrea, em nome do presidente Correa. As cartas são de 18 de janeiro e 28 de fevereiro, um dia antes de Reyes ser morto
Segundo o primeiro texto, Larrea enviou saudações de Correa a Marulanda e manifestou "o interesse do presidente de oficializar as relações com a direção das Farc" e sua "disposição de coordenar atividades sociais de ajuda a moradores da linha fronteiriça e troca de informação". Na segunda carta, Reyes diz ter conversado com Larrea sobre a troca de reféns, a situação da política franco-colombiana Ingrid Betancourt e o papel de Chávez na libertação dos seqüestrados.
O embaixador do Equador em Bogotá, Francisco Suescum, qualificou como "uma farsa" os documentos divulgados pela Colômbia e acrescentou que "jamais o governo do Equador, o presidente Correa e o ministro Larrea poderiam ter uma atitude dessa natureza".
No entanto, um funcionário equatoriano, que não quis ser identificado, confirmou à Associated Press que Larrea realmente se reuniu com Reyes para buscar a libertação de Ingrid, do soldado Pablo Emilio Moncayo, capturado pelas FARC em 1997, de vários policiais e soldados colombianos, assim como de um equatoriano. Ele acrescentou que Larrea informou pessoalmente ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, sobre as negociações em dezembro, quando estava na Colômbia para a libertação do primeiro grupo de reféns.