Atirador palestino invade seminário judaico e mata oito pessoas
Jerusalém - Um atirador palestino invadiu na quinta-feira o seminário rabínico Mercaz Harav, em Jerusalém, matando pelo menos oito alunos e ferindo dezenas. Segundo a emissora Manar, do grupo xiita libanês Hezbollah, uma organização militante desconhecida chamada Mártires de Imad Mughniyeh e Gaza assumiu a autoria do atentado. Israel afirmou que o ataque não prejudicará as negociações de paz com a Autoridade Palestina. O presidente palestino, Mahmud Abbas, condenou o atentado.
De acordo com as autoridades israelenses, o atirador, um palestino que morava em Jerusalém, invadiu a biblioteca do seminário, onde cerca de 80 alunos comemoravam o início do Adar, um dos meses mais festivos do judaísmo. Meios de comunicações israelenses chegaram a afirmar que até três atiradores teriam participado do ataque, o que foi desmentido pelo comandante da policia loca, Aharon Franco. "O atirador foi morto por um oficial do Exército que estava no local", afirmou Franco.
O porta-voz da polícia de Jerusalém, Shmuel Ben Ruby, disse que as forças especiais da polícia estavam vasculhando todas as salas do seminário. Apesar de ter dito inicialmente que o agressor morto carregava um colete com explosivos, Ruby afirmou que o objeto na verdade era um cinturão com munição.
Testemunhas disseram que o tiroteio durou vários minutos. "Ainda havia disparos quando chegamos ao local", afirmou o paramédico Yaron Tzuker. "Tivemos de nos esconder, a ambulância chegou a ser atingida pelos tiros", disse. A polícia teve trabalho para conter pais desesperados que queriam ter notícias de seus filhos O seminário, que fica na área de Kiryat Moshe, é um conhecido centro de estudos do judaísmo.
"Foi uma verdadeira carnificina", disse Yehuda Meshi-Zahav, chefe dos serviços de atendimento de emergência. Para o prefeito de Jerusalém, Uri Lupolianski, hoje foi um dia "muito triste, com a morte de várias pessoas no coração de Jerusalém". Desde 2006, militantes palestinos não realizavam ataques em Jerusalém. A polícia israelense, no entanto, disse ter frustrado uma série de atentados na cidade.
O ataque ocorreu um dia depois de a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, ter persuadido Abbas a retomar as negociações de paz - suspensas após uma incursão israelense em Gaza na semana passada ter deixado pelo menos 120 mortos. Rice afirmou que o ataque era um ato de "terror e depravação". O Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião de emergência para discutir o atentado.
Mesmo após Abbas ter emitido comunicado condenando as mortes de civis, o grupo militante Hamas, que controla a Faixa de Gaza, comemorou o ataque. Na quinta-feira, o governo egípcio tentava mediar um cessar-fogo entre militantes palestinos e o Exército israelense.
Apesar de temores de que o atentado possa levar a nova onda de violência, o porta-voz da chancelaria de Israel, Arye Mekel, afirmou que o país continuará as negociações.