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08.03.2008 imprimir Imprimir
 

Chávez ameaça nacionalizar empresas colombianas

Bogotá - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse na quinta-feira que pretende nacionalizar companhias colombianas que operam em seu país. "Vamos fazer um mapa das empresas colombianas na Venezuela. Podemos nacionalizar algumas, porque não estamos interessados em investimentos colombianos aqui", disse Chávez, acrescentando que também retirará o capital venezuelano aplicado na Colômbia.

Bogotá reagiu prontamente: "Esperamos respeito ao direito à propriedade e, caso isso se concretize (a nacionalização), os empresários sejam indenizados", afirmou o ministro da Fazenda, Oscar Iván Zuluaga, à rádio colombiana Caracol. Entre as empresas que poderiam ser afetadas estão produtoras e distribuidoras de alimentos, fábricas de cimento e montadoras de automóveis. Chávez citou a petroquímica Monómeros, em Cartagena, comprada em 2006 por uma estatal venezuelana, como exemplo de empresa que deveria ser vendida.

Chávez propôs ao presidente equatoriano, Rafael Correa - no encontro que manteve com ele na quarta-feira -, um acordo comercial para que os dois países não precisem mais da Colômbia para conseguir "nem um grão de arroz ou um quilo de carne".

"Estamos traçando uma estratégia com o governo colombiano para redirecionar nossos produtos para o mercado interno, a Europa, o Canadá e os países vizinhos caso seja necessário", disse à AE Javier Díaz Molina, presidente da Associação Nacional de Exportadores da Colômbia. O governo colombiano também anunciou um "pacote de emergência" com a ampliação do crédito para pequenas e médias empresas para tentar reduzir o efeito da crise com os países vizinhos. O prejuízo com a redução do comércio com a Venezuela, segundo cálculos de autoridades do país, deve reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) colombiano de 5% para 3,7% este ano. Só o setor de turismo já perdeu US$ 5 milhões nos últimos cinco dias, por causa do cancelamento de 2 mil pacotes para lugares como Cartagena e Santa Marta.

Parceira natural pela proximidade geográfica e por ter uma economia complementar, a Venezuela é o destino de 17% das exportações da Colômbia. Só no ano passado, as vendas para o país de Chávez aumentaram 92,6%, atingindo US$ 5,5 bilhões, segundo dados divulgados na quarta-feira. A Colômbia vende para a Venezuela principalmente alimentos e produtos industrializados como roupas, calçados e carros, e compra basicamente matéria-prima, como aço, ferro e alumínio.

"Os empresários venezuelanos aumentaram as exportações aproveitando a escassez criada pela má gestão econômica do governo Chávez", explica Alejandro Gaviria, economista da Universidade dos Andes, em Bogotá. "Suspender as importações colombianas é uma estratégia arriscada do ponto de vista econômico, mas quando se trata de Chávez já sabemos que as previsões devem sondar mais o terreno da psicologia e da política do que o da racionalidade econômica."

 
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