Afetada pela crise imobiliária, economia americana perde empregos
A economia americana perdeu empregos em fevereiro pelo segundo mês consecutivo, suprimindo 63.000 postos de trabalho, o número mais elevado dos cinco últimos anos, anunciou nesta sexta-feira o departamento do Trabalho. Trata-se de uma grande decepção para os analistas, que apostavam na criação de 25.000 empregos. Além disso, houve 22.000 demissões em janeiro, em vez das 17.000 anunciadas inicialmente. O número de supressões de empregos é o mais alto desde março de 2003, no início da guerra do Iraque. Trata-se, também, da primeira vez que a economia registra dois meses de demissões consecutivos desde junho de 2003. "Este relatório evidencia a recessão. Nunca se vê tais números em períodos que não sejam recessões", considerou Avery Shenfeld, da CIBC World Markets.
A reação foi imediata nos mercados: o euro inscreveu um novo recorde a 1,5464 dólar, e as Bolsas mundiais continuaram sua desaceleração. Em Nova York, o índice Dow Jones abriu em baixa nesta sexta-feira antes de limitar suas perdas no fim da manhã. Este relatório traz pessimismo para a saúde da primeira economia mundial. Qualquer deterioração do emprego se traduz por uma redução dos salários, o que pode ser problemático numa economia atrelada ao consumo. "A questão não é mais de saber se vamos cair em recessão, mas quanto tempo vamos ficar em recessão", resumiu o economista independente Joel Naroff. Os analistas estão preocupados com a possibilidade de que a crise do setor imobiliário contamine o restante da economia.
No setor privado, 101.000 pessoas foram demitidas em fevereiro, sobretudo nos setores da construção civil (39.000) e da indústria (52.000), principalmente para as empresas ligadas ao imobiliário. Porém, o comércio varejista também sofreu (34.000 demissões) assim como os serviços (32.000). "A debilidade no setor imobiliário começa a atingir o resto da economia", afirmou Shenfeld. Únicos setores a criar empregos, a função pública empregou 38.000 pessoas, o setor do lazer, 21.000 e a educação/saúde, 30.000. A situação não conforta os analistas que a explicam, principalmente, pela redução do número de pessoas no mercado do emprego, desanimadas pelas perspectivas cada vez mais sombrias.
Os mercados esperam, portanto, uma reação firme do Banco Central americano (Fed). Paralelamente à publicação do relatório, o Fed anunciou nesta sexta-feira um aumento dos recursos que pretende injetar nos mercados para aliviar a crise do crédito, e a organização de "negociações acirradas" com os outros bancos centrais no mundo. Além disso, a taxa de juros, que já está em 3%, "será sem dúvida diminuída de mais um ponto nas duas próximas reuniões do Fed", antecipou Paul Ferley, do banco RBC. O Comitê de política monetária do Banco Central americano se reúne em 18 de março, e os analistas prevêem uma redução da taxa de juros de meio ponto. |