Equipes tentam resgatar chalana; só um corpo foi localizado
Cuiabá - Equipes da Marinha e do Corpo de Bombeiros tentarão amanhã retirar do fundo do Rio Cuiabá a chalana Sami Tôa Toa, que afundou no domingo em Poconé (MT) com 12 turistas e 10 tripulantes.
O corpo do empresário Luiz Sérgio Scardelai, de 49 anos, foi localizado a 10 quilômetros do local do acidente. Outras oito pessoas ainda não foram localizadas e seus corpos podem estar dentro barco, a 10 metros de profundidade. No domingo, a Capitania dos Portos informou erroneamente que três corpos tinham sido resgatados.
A forte correnteza, a chuva e a falta de visibilidade prejudicam o trabalho dos 44 mergulhadores que não conseguem nem abrir as portas da embarcação para retirar possíveis corpos. "Infelizmente perdi grandes amigos e excelentes companheiros. Espero que as famílias se confortem porque foi um trauma muito grande", disse o professor Roberto Vilela, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), um dos 13 sobreviventes do naufrágio.
Segundo ele, o acidente pode ter ocorrido a partir de um curto-circuito no gerador de energia elétrica. "A luz apagou e houve um forte barulho." Em seguida, a água começou a invadir os quartos. "Não consegui ouvir nada de pedido de socorro porque dois apartamento não conseguiram abrir suas portas. Em 30 segundos ela (a chalana) afundou", contou o professor.
O Ministério Público Estadual e a Marinha abriram dois inquéritos para apurar as causas do acidente com o barco de pesca. A princípio, a documentação da chalana estaria regular, segundo a Capitania dos Portos de Mato Grosso.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros no Estado, coronel Arilton Azevedo Ferreira, informou que o local do acidente é de difícil acesso e a correnteza é muito forte, o que dificulta o trabalho da equipe de resgate. "Como a correnteza está forte, os respiradores e os cilindros estão escapando dos mergulhadores do Corpo de Bombeiros que fazem o trabalho de resgate. Estamos aguardando o apoio de mergulhadores da Marinha que têm experiência nesse tipo de resgate."
O grupo de turistas era formado por empresários de Cuiabá, professores da UFMT, um professor universitário de Campinas (SP), um dentista e funcionários do Banco do Brasil. Eles iam passar oito dias pescando no Pantanal.