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12.03.2008 imprimir Imprimir
 

Montadoras prevêem investimento recorde em 2008

São Paulo - Em 2008, as montadoras vão investir US$ 4,9 bilhões no Brasil, o maior montante já gasto pelo setor em um único ano. A maior parte será aplicada no aumento da capacidade produtiva, que passará dos atuais 3,5 milhões de veículos para 3,85 milhões. Em 2009, a capacidade anual chegará a 4 milhões de unidades, um acréscimo de 500 mil veículos em dois anos.

Juntando o setor de autopeças, o investimento chegará a US$ 20 bilhões até 2010. O triênio anterior que teve maior aporte das montadoras e das autopeças foi de 1996 a 1998, quando foram inauguradas 13 novas fábricas, entre marcas que passaram a produzir localmente e filiais das empresas já instaladas no País Naquele período, foram aplicados US$ 11,7 bilhões.

O anúncio da soma dos investimento e da nova capacidade produtiva da indústria automobilística brasileira ocorre num momento em que o setor registra sucessivos recordes de vendas e há filas de espera de até três meses para vários modelos de automóveis e de até nove meses para caminhões.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, "o número é muito forte e deve gerar dinamismo à economia do País."

Segundo ele, as montadoras estão confiantes na manutenção do crescimento do mercado. No primeiro bimestre deste ano, as vendas aumentaram 38,7% em relação ao mesmo período de 2007, para 415,8 mil veículos. A produção teve salto de 23,6%, para 505,6 mil unidades e as exportações, em valores, acumulam alta de 18,4%, com US$ 1,075 bilhão. Os três resultados são recordes bimestrais.

O único dado negativo são as exportações, em unidades, que caíram 3,3% entre janeiro e fevereiro, para 109,8 mil unidades. Segundo Schneider, os modelos exportados são de maior valor agregado, o que explica o aumento das vendas em valores, apesar da queda em volumes. Esta é explicada pelo efeito do real valorizado frente ao dólar, que levou à perda de alguns mercados por causa do reajuste dos preços para compensar o câmbio.

Schneider ressaltou que produzir o equivalente à capacidade instalada, que este ano terá acréscimo de 350 mil unidades, depende do mercado. "Não sei se ocorrerá, mas tudo leva a crer que sim, pois a expansão da demanda deve continuar." Disse ainda que, nos próximos meses, novos anúncios de investimentos devem ocorrer por parte de montadoras que ainda estão finalizando projetos.

Entre as empresas que anunciaram investimentos recentes está a Fiat, que vai aplicar R$ 5 bilhões até 2010 e sua capacidade produtiva alcançará 3.050 unidades por dia ainda este mês. A Ford vai investir R$ 2,5 bilhões até 2011 e a Volkswagen Caminhões R$ 1 bilhão.

O aumento da capacidade das montadoras também foi revelado uma semana depois que a cidade de São Paulo, maior consumidora de carros do País, registrou recordes de congestionamento. Para ele, o País precisa adotar medidas estruturais, como investimentos sério em transporte coletivo e na parte viária.

O executivo também defendeu a inspeção veicular, que ajudaria a tirar das ruas veículos sem condições de transitar, normalmente responsáveis por congestionamentos quando quebram em áreas de tráfego intenso. "Estamos expandindo nossa capacidade produtiva porque o mercado está comprando e nós vamos atender o desejo dos consumidores."

CARRO FLEX - O nível de emprego nas montadoras também cresceu. O setor encerrou fevereiro com 122,4 mil funcionários, maior contingentes desde 1991, quando empregava 124,8 mil pessoas. Os números não incluem as quase 2 mil contratações anunciadas recentemente por GM, Fiat, Volkswagen e Mercedes-Benz.

Na quinta-feira, as montadoras atingiram a marca de 5 milhões de carros flex feitos no Brasil. Modelos que rodam com álcool ou gasolina começaram a ser vendidos há cinco anos.

A tecnologia do motor bicombustível desenvolvida no País equipou 168,7 mil veículos vendidos em fevereiro, o equivalente a 88,3% das vendas no período. No bimestre, são 348,4 mil unidades vendidas.

 
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