Rice elogia o Brasil mas não manifesta apoio a uma vaga no Conselho
A secret ária americana de Estado, Condoleezza Rice, reafirmou na quinta-feira, durante a visita de sete horas a Brasília, que o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) precisa ser reformado porque é de 1945. Mas ela não deixou ao governo Lula o apoio dos EUA a uma vaga permanente para o Brasil no CS, iniciativa que também não era esperada pelo Itamaraty.
Apesar disso, a diplomacia brasileira pôde anotar três minúsculos avanços na posição americana: os elogios de Rice à atuação do Brasil na solução de conflitos recentes na região, sua posição favorável à atuação do País nos debates de temas mundiais e regionais e sua declaração de que os EUA continuam "abertos" a essa discussão.
"O presidente (Bush) reconhece que é necessária uma reforma (do CS) e sempre consultamos os membros permanentes, mas também países como o Brasil e outros. Atribuímos grande valor aos esforços do Brasil em períodos de crise e de calma. Não poderíamos ter feito o que fizemos no Haiti sem a participação do Brasil nas forças (de estabilização) da ONU e sem o seu empenho diplomático", afirmou Rice. "A posição do Brasil sobre a reforma do Conselho de Segurança é conhecida, e a nossa também", completou.
A posição oficial dos EUA, que Rice fez questão de ressaltar na quinta-feira à imprensa, envolve o apoio apenas ao Japão como novo membro permanente do CS. Descarta, por enquanto, o apoio americano ao mesmo pleito dos demais aliados do Japão no Grupo dos Quatro - Brasil, Alemanha e Índia.
Segundo a secretária de Estado, seu país continuará as consultas com os governos de outros países, além do Brasil, sobre o tema da reforma do Conselho de Segurança. "O presidente (Bush) afirmou que está aberto a essa reforma. Com esforço e idéias criativas, podemos avançar", afirmou.