Colapso do Carlyle Capital detona a crise nos fundos de hedge
Londres - A crise dos fundos de hedge explodiu na quinta-feira com o colapso do Carlyle Capital. O fundo pertencente ao americano Carlyle Group, com ações listadas em Amsterdã, anunciou na noite de quarta-feira que não chegou a um acordo com os credores e, com isso, praticamente decretou a liquidação do fundo. A notícia provocou uma nova onda de aversão ao risco, derrubou a cotação do dólar ante as demais moedas do mundo e turbinou o preço de commodities, como petróleo e ouro.
As preocupações com a saúde financeira dos fundos de hedge há dias assombram os investidores. O estrangulamento da liquidez no mercado de crédito está levando os gestores a um doloroso processo de desalavancagem das carteiras. O sinal amarelo acendeu no final de fevereiro, quando o londrino Peloton teve problemas para honrar compromissos. Desde então, especialistas alertam sobre o efeito dominó decorrente desse movimento.
A questão é que os fundos trabalham muito alavancados, com dinheiro tomado dos bancos. Mas as instituições financeiras ficaram mais restritivas na concessão de crédito e passaram a exigir chamadas de margens diante da desvalorização dos ativos que estão nas carteiras. Para atender a exigência dos bancos, os gestores são obrigados a sair vendendo posições, o que empurra os preços ainda mais para baixo, atingindo outros portfólios.
Depois de sinalizar problemas na semana passada, na quinta-feira o Carlyle Capital informou que as negociações com os credores se deterioraram, o que deve resultar em nova chamada de margem de US$ 97,5 milhões, segundo a Dow Jones. O fundo não conseguiu honrar posição de US$ 16,6 bilhões, podendo quebrar. No início da manhã, as ações do fundo chegaram a despencar 70%.
O pior é o sentimento de que notícias desse tipo não devem parar por aí. A edição do Financial Times de na quinta-feira, por exemplo, destacou que outros três grandes hedge funds estão sendo forçados a encerrar suas atividades ou suspender as retiradas dos clientes. Conforme o jornal britânico, a situação afeta o Drake Management, um administrador de US$ 12 bilhões em Nova York, o Global Oppotunities Capital, com carteira de US$ 870 milhões em Amsterdã, e o Blue River Asset Management, com sede em Colorado (EUA) e especializado em títulos municipais. Segundo o The Times, vários fundos de hedge, com ativos que superam US$ 4 bilhões, estão à beira de colapso.
As informações mostram que a ação coordenada dos principais bancos centrais, realizada nesta semana, foi insuficiente para resolver os problemas de liquidez do sistema, como logo alertaram os especialistas.
Para azedar ainda mais o humor dos investidores, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou que as vendas no varejo caíram 0,6% em fevereiro, quando o mercado esperava alta de 0,1% O pessimismo só não foi pior porque a agência americana de classificação de risco Standard&Poor’s afirmou que "o fim das baixas contábeis agora está à vista para as grandes instituições financeiras".
"As pessoas adoram ouvir esse tipo de coisa. As pessoas estão se agarrando a qualquer sinal de que o fim da crise de crédito se aproxima", comentou um operador. |